Relato crítico sobre a experiência de trabalhar dança como linguagem dentro da disciplina de Educação Física do Ensino Fundamental, pelo PIBID, desenvolvido na EBM Lauro Muller, em Blumenau. Programa executado pela CAPES e oferece bolsas de iniciação à docência para as licenciaturas, incentivando a formação de professores. Durante a análise do Currículo da Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Blumenau surgiram lacunas, especialmente no campo diversidade e dança, sendo insuficiente a abordagem. O conteúdo determinado é difícil de ser compreendido a um professor que não possui vivência específica na área. Além de violações de diretrizes da constituição nacional, onde removeram temas como identidade e orientação de gênero. A ausência desses elementos viola diretrizes legais, como o artigo 3º da Constituição Federal de 1988, que precariza a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, o artigo 206, inciso II, que assegura a liberdade de aprender e ensinar, e a Lei 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), especialmente em seus artigos 3º e 26, que determinam o respeito à diversidade cultural e a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas, que abarcam e ampliam o conhecimento acerca da diversidade e abraçam múltiplos olhares contemporâneos sobre a dança e sobre o ensino. A exclusão de gênero também contraria a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional a proibição do debate de gênero nas escolas, entendendo que essa vedação viola princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e a promoção de uma sociedade plural e inclusiva. Logo, torna-se necessário ampliar a função da sala de aula não apenas como espaço de trocas de saberes, limitados a uma série de rotinas, procedimentos de controle, mas local de formação de subjetividades. Sendo assim o objetivo desta pesquisa é evidenciar e colocar em pauta a discussão desse processo de exclusão e o que ele provoca na escola e enfatiza a emergência do debate por ser uma norma inconstitucional inserida no ensino básico, esfera que compõe o cidadão.O que se vê hoje, tanto na educação quanto na cultura, é a prevalência de mecanismos que reforçam conformismo e adaptação, impedem debate e aprendizado por preconceito e exclusão. A massificação das ideias, o sucateamento do ensino, a estetização das memórias e o esvaziamento dos sentidos históricos dificultam a emergência de aos corpos dissidentes. Theodor W. Adorno, na coletânea Educação e Emancipação, alerta que uma educação emancipadora precisa romper com a reprodução automática dos modelos de dominação e abrir espaço para o pensamento crítico. A função da cultura e por extensão da cidade e da escola seria justamente a de possibilitar a formação de sujeitos autônomos, capazes de refletir sobre a realidade e transformá-la.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br