O projeto “Cidadania Conectada: Capacitação em Mídias Digitais e Produção de Podcasts para Jovens” foi desenvolvido com o propósito de formar adolescentes da rede pública de ensino para o uso crítico, ético e criativo das mídias digitais. Em um contexto marcado pela desinformação, pela exposição indevida nas redes sociais e pelas lacunas na formação midiática da juventude, a proposta buscou articular ensino, extensão e pesquisa em um processo formativo interdisciplinar. As ações foram implementadas a partir de uma parceria entre a Universidade Regional de Blumenau (FURB) e o componente curricular de Sociologia da Escola de Ensino Médio Elza Pacheco. A metodologia adotada envolveu o trabalho com habilidades previstas na BNCC, como a análise de conflitos com base nos direitos humanos (EM13CHS301), a avaliação crítica do impacto das tecnologias digitais na organização social (EM13CHS401) e a compreensão da função social da mídia e das redes (EM13CHS403). As ações combinaram aulas teóricas de sociologia com práticas em laboratórios de comunicação, com ênfase na produção autoral de podcasts. As atividades ocorreram no primeiro semestre de 2025, contemplando etapas como organização pedagógica, formação em cidadania digital, produção de roteiros, gravação e edição sonora, avaliação participativa e divulgação pública dos conteúdos. Os resultados, além da elaboração dos episódios, demonstraram impacto positivo tanto na aquisição de habilidades técnicas quanto na formação cidadã dos participantes. Avaliações realizadas com os estudantes indicaram altos níveis de satisfação: 100% aprovaram a experiência, 87,1% consideraram excelente a metodologia adotada e 80,6% relataram maior consciência sobre os riscos da desinformação. O caráter inovador do projeto residiu na articulação concreta entre a educação básica e o espaço universitário, proporcionando aos estudantes vivências acadêmicas qualificadas e fortalecendo a integração entre diferentes níveis educacionais. Além disso, a culminância das atividades com a publicação dos podcasts em plataformas digitais e a apresentação pública no Dia da Família na Escola ampliou a visibilidade das produções e fortaleceu os vínculos entre escola, família e comunidade. A experiência contribuiu significativamente para a formação acadêmica dos envolvidos, promovendo o protagonismo estudantil, a interdisciplinaridade e a aproximação efetiva entre ensino, extensão e pesquisa, consolidando-se como uma prática inovadora e replicável no campo da educação digital crítica.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br