Encontros pela arte: Afetos, representatividade e diálogos a partir da obra de artistas negros e indígenas.

  • Autor
  • Luiza Helena Pereira
  • Co-autores
  • Vitória Linhaus de Oliveira , Caroline Carvalho
  • Resumo
  • Estre trabalho reflete e relata acerca do Estágio obrigatório no Fundamental II, em Licenciatura em Artes Visuais realizado com turmas do 9º ano da Escola Básica Municipal Machado de Assis (Blumenau/SC), no primeiro semestre de 2025. Que teve como base seus principais objetivos: combinar teoria e prática artística, estabelecer vínculos entre os adolescentes, os educadores e as produções artísticas apresentadas e divulgar artistas negros e indígenas brasileiros através de literatura, música e visualidades, promovendo representatividade e diálogos críticos, utilizando as pedagogias de Paulo Freire e bell hooks como caminho. As atividades partiram da observação da rotina dos adolescentes, que resultou em três semanas. Nas quatro semanas seguintes, foram desenvolvidas oito aulas expositivas e dialógicas, com atividades como a produção de Slams, experimentação com instrumentos de capoeira e leitura de obras de artistas como Emicida (com a leitura do livro 'Amoras') e Daiara Tukano (com a leitura da sua série de obras 'Pássaros'). Entretanto, apesar do engajamento dos alunos nas práticas criativas, identificamos três grandes desafios: (1) a dificuldade em aprofundar discussões críticas sobre representatividade no curto período disponível; (2) a desconexão entre os conteúdos propostos e o contexto urbano de Blumenau; e (3) a necessidade de adaptar as metodologias ao perfil hiperativo da turma, marcado pela euforia da transição para o Ensino Médio. Compreendemos que projetos antirracistas em arte-educação exigem maior articulação com as realidades locais e estratégias que integrem corpo, movimento e crítica - especialmente com adolescentes em fase de ruptura educacional. Entende-se então que, ao abordar e contextualizar temas decoloniais se faz necessário um planejamento mais extenso. A experiência evidência a necessidade de adaptar as práticas didáticas às realidades emocionais e sociais dos estudantes, especialmente no Fundamental II. Essa situação nos tensiona a refletir que não basta apenas incluir conteúdos não eurocêntricos, é preciso mudar a forma como o ensino da arte e os demais ensinos são estruturados. E perceber que nós somos acostumados a valorizar um saber, um conhecimento, uma arte voltada ao hemisfério norte, e que é crucial quebrar algumas lógicas coloniais que estão enraizadas nas escolas, que foram construídas por um processo histórico. Por fim, reconhecemos que o maior aprendizado deste estágio foi compreender que a educação decolonial não se faz apenas com bons conteúdos, mas com a capacidade de ouvir verdadeiramente os estudantes e adaptar as práticas às suas necessidades concretas, e a persistência de um curriculo multicultural, lição que levaremos para nossa formação docente continuada, e que a experiência no campo da educação é um caminho a ser percorrido.  

  • Palavras-chave
  • Educação Antirracista, Ensino de Artes Visuais, Ensino Fundamental, Estágio.
  • Área Temática
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br