Este relato descreve uma intervenção realizada como parte do estágio de docência no doutorado em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Regional de Blumenau (FURB/PPGE). A atividade foi desenvolvida na disciplina de Educação Estética, sob orientação da Professora Caroline Carvalho, com turmas dos cursos de Pedagogia e Artes Visuais. Teve como objetivo principal proporcionar aos estudantes uma vivência sensorial capaz de promover o autoconhecimento, o cuidado de si e a escuta sensível por meio da massagem sonora, técnica terapêutica fundamentada na vibração de instrumentos musicais. Pretendeu-se, ainda, estimular a reflexão sobre o papel das emoções na formação integral do sujeito, fortalecer a conexão entre práticas de ensino, extensão e pesquisa, e incentivar abordagens pedagógicas inovadoras que integrem saberes diversos. Conduzida por uma docente e um terapeuta sonoro convidado, a atividade foi cuidadosamente planejada: o ambiente foi preparado com meia-luz, aromas naturais e colchonetes para acolher os participantes em uma atmosfera de introspecção. A metodologia adotada rompeu com os modelos tradicionais de aula, priorizando a vivência direta, a escuta ativa e o silêncio como formas legítimas de aprendizagem. Durante a sessão, os sons de percussão, cordas e sopros conduziram os alunos a estados ampliados de percepção, acessando memórias e emoções de forma única e pessoal. Na roda de conversa realizada ao final, os relatos evidenciaram a potência da prática: os participantes compartilharam sentimentos de acolhimento, leveza, inquietação e reconhecimento de aspectos subjetivos muitas vezes negligenciados no cotidiano acadêmico. A diversidade de interpretações mostrou que a mesma frequência sonora pode provocar efeitos distintos, revelando a complexidade da experiência humana. A proposta revelou-se interdisciplinar ao articular elementos da música, da educação, da psicologia e das práticas terapêuticas. Além disso, reforçou a importância da extensão como espaço privilegiado de experimentação e diálogo com outras formas de conhecimento. O impacto na formação acadêmica foi significativo, pois despertou nos estudantes a consciência de que o processo educativo também deve contemplar dimensões afetivas, sensoriais e existenciais. A experiência com a massagem sonora evidenciou-se como uma proposta pedagógica inovadora, ao articular ensino, extensão e vivência estética em um processo formativo que valoriza tanto o conhecimento acadêmico quanto as dimensões afetivas e subjetivas do ser. Mais do que uma prática alternativa, revelou-se uma estratégia potente de aprendizagem, capaz de romper com modelos tradicionais e de provocar a escuta sensível, o autoconhecimento e o cuidado de si. Ao integrar diferentes campos do saber e proporcionar vivências significativas, contribui para a construção de uma educação mais humana, reflexiva e integral, reafirmando a importância de práticas que reconhecem o sensível como parte essencial do ato de educar.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br