Neste ano de 2025, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015 - LBI), completa 10 anos, cujo marco é um convite à seguinte reflexão: “Para onde vamos?”. Essa indagação foi muitas vezes feita expressa e implicitamente em aulas do curso de Licenciatura em Educação Especial da Furb. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a LBI a partir do ponto de vista de acadêmicos do curso de Educação Especial. Para isso, abordaremos a temática por meio de metodologia documental e bibliográfica, com viés qualitativo. Ao longo da história do planeta a deficiência foi tida por diferentes perspectivas, tanto estrita quanto amplamente na tônica da palavra. Aliás, “diferente” é um termo polissêmico, que acompanha desde muito tempo a temática da deficiência, e geralmente tido sob o viés da “anormalidade”. Sendo assim, pode-se mencionar que a pessoa com deficiência e a deficiência foi vista pela ótica da intolerância, da invisibilidade, médica e social (PIOVESAN, 2018; BARRETO, 2021). Na ótica da intolerância, a pessoa com deficiência era tida como monstro e indigna de conviver socialmente, sendo, então, excluída da sociedade. Já na ótica da invisibilidade, a pessoa com deficiência era considerada “anormal”, “retardada”, “inválida”, “inútil”, denominações que, por muito tempo, foram naturalizadas e reforçavam a segregação. Mais adiante, na ótica médica ou biomédica a pessoa com deficiência era vista como “doente” e “incapaz”, aquela que precisava tão-somente de cuidados médicos por não ser capaz de gerenciar sua própria vida. E, por fim, a ótica social surge como contraponto ao modelo até então vigente no século passado, vindo a reconhecer a pessoa com deficiência como sujeito de direito (DINIZ, 2003). Portanto, viemos de enfrentamentos mesológicos, quer sejam culturais e políticos, quer sejam sociais, que não foram rompidos e ultrapassados completamente, mas estão em processos de enfrentamento. Desse modo, responder ao questionamento “para onde vamos?” é pensar em um “futuro-agora” que exige efetivação de leis, implementação de políticas públicas e programas de educação em direitos humanos para pessoas com deficiências e público-alvo da educação especial. Isso porque o paradigma inclusivo é uma construção social, não bastando leis, sendo necessárias mudanças no pensar e no comportamento, por meio de processos pedagógicos dialógicos. O maior desafio da acessibilidade e inclusão é a premente necessidade de conscientização da sociedade com relação ao capacitismo, inclusive em sua forma estrutural. A Educação Especial tem um papel central nesse processo ao propor estratégias pedagógicas que atuem entre a necessidade do estudante com deficiência e a sua inclusão social. Afinal, só há inclusão quando houver oportunidades iguais para todos, de acordo com as especificidades de cada um.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br