Saberes-fazeres da Educação Especial aplicados em aulas de Educação Física: experiência bolsista no PIBID/FURB do subprojeto interdisciplinar Dança, Educação Especial e Educação Física

  • Autor
  • KARINA ALBUQUERQUE BARRETO
  • Co-autores
  • Marcelli Correa Ugoski
  • Resumo
  •  

    A escola é o espaço que contribui significativamente para o desenvolvimento do estudante, inclusive de modo a melhorar a convivência social, isso porque é com a socialização que estudantes podem se transformar mediante conhecimentos quem vão além dos muros da escola e, sobretudo, refletirem sobre suas diferenças como ponto de igualdade entre si. E é nessa linha que a Educação Especial atua, tendo como fim apoiar estratégias inclusivas, nas quais todos sejam acolhidos socialmente a partir de suas singularidades. A partir da perspectiva inclusiva alicerçada na Educação Especial, acadêmicos da Licenciatura de Educação Especial da Universidade Regional de Blumenau  (FURB) e vinculados ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) no subprojeto interdisciplinar Dança, Educação Especial e Educação Física têm atuado em aulas de educação física na EBM Lauro Muller, no município de Blumenau. Nesse sentido, o objetivo desta pesquisa é apresentar os saberes-fazeres realizados em aulas de educação física sob a ótica da Educação Especial. Apoiada em metodologia bibliográfica e documental, de base qualitativa, esta pesquisa se apoia em diário de campo e registros fotográficos realizados no período de 19 de fevereiro a 27 de junho de 2025, especialmente com turmas do 5º, 6º e 8º ano do ensino fundamental, com a participação de 5 bolsistas, sendo 1 bolsista do curso de Dança, 1 bolsista do curso de Educação Física e 3 bolsistas de Educação Especial, além da supervisora de educação física da escola. Sob o olhar do acadêmico de Educação Especial, as adaptações propostas nas aulas de educação física têm como base a ótica do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), que propõe a flexibilização do currículo e das estratégias didáticas para atender às diversas formas de aprender. Considerando que o DUA pode ser adaptado conforme a necessidade e a realidade da escola, a ideia é tomar estratégias didáticas flexíveis, pautadas na neurodiversidade, de modo a fomentar experiências educativas que respeitem a multiplicidade dos estilos de aprendizagem e ampliem as possibilidades de envolvimento ativo dos estudantes no processo de ensino. Na prática, os bolsistas PIBID/FURB da Educação Especial fazem observações para adaptação de atividades, em especial, rotina previsível, antecipação visual, reforço positivo e respeito aos limites corporais dos estudantes – as atividades psicomotoras exercitam equilíbrio, coordenação, lateralidade e ritmo.  No caso de estudantes com deficiência ou necessidades educativas diferenciadas, é necessário entender e respeitar os movimentos corporais, para que sejam de acordo com suas possibilidades, limitações e interesses (FONSECA, 2008). Até o momento tem se observado que a educação física, mediada por uma prática pedagógica adaptada, se demonstra relevante espaço de expressão, interação e aprendizagem e, assim, é importante ferramenta para uma educação verdadeiramente inclusiva, pois contribui para a autonomia, socialização e autoestima dos estudantes.

  • Palavras-chave
  • DUA, Pibid, Educação Especial, Neurodiversidade, Inclusão, Acessibilidade, Ensino-Aprendizagem
  • Área Temática
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br