Relato de experiências sobre atividades de composição musical com base na literatura quilombola.

  • Autor
  • Bárbara Rosa Science Gomes
  • Co-autores
  • Arthur Schneider Raulino , Daniel Freitas , Líbia da Silva Cecílio Pingo , Lucas Raulino , Luís Daibes , Naiara Tres Vera , Sara Alice Tobias
  • Resumo
  • Este resumo trata da atuação de oito bolsistas integrantes do Programa PIBID-FURB no subprojeto de Música. A atuação se deu na Escola Básica Municipal Alberto Stein, com turmas de 5° e 6° anos do Ensino Fundamental, sob a supervisão da professora de Artes. A experiência de acompanhar grupos de estudantes na criação de composições musicais, inspiradas em leituras de livros com temática quilombola, revelou-se ao mesmo tempo rica em diversidade e repleta de desafios para os bolsistas do PIBID. A proposta consistia em que cada bolsista trabalhasse individualmente com pequenos grupos, orientando-os na leitura e interpretação dos textos para juntos, transformarem aquelas histórias em música. O principal objetivo era estimular a escuta criativa, o trabalho coletivo, num processo criativo-musical de composição, respeitando o tempo e as formas de interpretação de cada grupo. Para isso, lançamos mão de diversas estratégias: releituras mediadas, anotações de palavras-chave, jogos rítmicos, improvisações melódicas e, sobretudo, muita conversa. Apesar dos esforços, em alguns momentos tudo parecia estagnar — fosse por falta de concentração, insegurança, ruídos do ambiente ou mesmo pela sensação de impotência, como relatou uma colega: “Sinto que não estou conseguindo ajudar!”. Esses impasses, contudo, nos conduziram a abandonar a tentativa de controle total e a confiar mais no processo — tanto o nosso quanto o dos estudantes. Os resultados variaram conforme a turma e os grupos. Em alguns, a criação fluiu de maneira espontânea; já em outros, nem tanto. Houve quem criasse composições com refrão, perguntas e respostas, ritmos, divisão de vozes e até regência improvisada. Outros optaram por uma abordagem mais poética, ritmada ou performática. Em comum, todos os grupos conseguiram transformar a leitura em algo musicalmente significativo. Mais do que "dar certo", a experiência nos mostrou a, principalmente, valorizar o caminho, mesmo quando aparecem dificuldades. Essa experiência permitiu que nós, futuros docentes, compreendêssemos melhor a importância de olhar com atenção para o processo de aprendizagem de cada grupo, oferecendo apoio quando necessário, sem anular a liberdade criativa dos estudantes. Mais do que as produções finais, o foco esteve no percurso trilhado por cada grupo. As dificuldades enfrentadas, vistas não como obstáculos, mas sim como momentos de observação e crescimento, tanto para os estudantes quanto para os professores em formação.

  • Palavras-chave
  • Composição musical; Literatura quilombola; Educação musical; Interculturalidade; Formação docente.
  • Área Temática
  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br