Esta comunicação relata a experiência de uma professora de língua alemã no contexto de aulas particulares para maiores de 16 anos. Utiliza-se os materiais didáticos Menschen A1 e Momente A1 e esses materiais apresentam o tempo verbal pretérito perfeito nos dois últimos capítulos do nível A1.1 e ele só é retomado como conteúdo gramatical no nível A2.1. Nesse ínterim, há um vácuo, que precisa ser preenchido pelos professores, pois há uma grande diferença na formação do pretérito perfeito entre o português e o alemão, que precisa de tempo para ser assimilada. No português, utilizamos a construção Sujeito-Verbo-Objeto e no alemão a construção campo da frente – verbo auxiliar – campo do meio – verbo no particípio II. A tendência é colocar o particípio II logo após o verbo auxiliar e só depois acrescentar os advérbios, os objetos. Essa mudança de lógica na construção das frases precisa de oportunidades de uso. No quesito conjugação verbal, é mais fácil dominar a conjugação verbal em alemão, pois não há a diferença de conjugação dos verbos terminados em -ar, -er e -ir. Na língua alemã, é preciso saber qual dos dois verbos auxiliares deve ser utilizado (sein oder haben) mais o particípio II, que na maioria das vezes, tem uma única versão. Para oferecer oportunidades de prática, a cada aula a professora fazia a seguinte pergunta: Was hast du am Wochenende/diese Woche gemacht? (O que você fez no final de semana/essa semana?) e anotava no quadro as frases de cada aluno, para auxiliar na compreensão e assimilação do vocabulário e sintaxe. A cada aula, a professora foi percebendo que os estudantes imitavam os verbos que os colegas haviam usado em suas frases. Para incentivar a prática e a variedade no uso, a professora foi acrescentando critérios, como usar um verbo diferente dos já mencionados pelos colegas, e diferente dos já usados pelo próprio aluno em aulas anteriores. Como professores, precisamos respeitar cada aprendiz em seus passos, já que a aprendizagem é individual. Alguns estudantes precisam de mais orientação, oportunidades de prática enquanto outros se apropriam das estruturas mais rapidamente. Como docente de alemão, o objetivo é que, ao final do nível A1.2, mesmo não tendo o pretérito perfeito como conteúdo gramatical, os aprendizes possam expressar o que fizeram nos últimos dias de forma mais espontânea e acurada. A experiência tem se mostrado positiva, pois os alunos conseguem usar a estrutura estudada para relatar experiências, demonstrando que aprenderam a estrutura e o vocabulário. Ao perceberem a rotina, muitos estudantes já pesquisavam vocabulário para poder contar experiências das quais ainda não haviam falado. Assim, os alunos conseguiram fluir nos seus relatos até o final do A1.2 e antes dessa prática, só acontecia no final do A2.1.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br