ENSINAR PORTUGUÊS PARA ESTRANGEIROS SEM O USO DO INGLÊS COMO LÍNGUA MEDIADORA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

  • Autor
  • Tatiana Mueller Barcellos
  • Co-autores
  • Marta Helena Cúrio de Caetano , Carla Fernanda Nolli , Cyntia Bailer
  • Resumo
  • O curso de Português para Estrangeiros com abordagem voltada para as provas do Celpe-Bras vem sendo oferecido desde 2010. Tradicionalmente, os professores que lecionam esse curso são também falantes proficientes da língua inglesa e podem utilizar o inglês como língua mediadora no ensino de português para estrangeiros. No entanto, em 2025, a primeira autora desta comunicação, proficiente em língua alemã e não língua inglesa, abraçou o desafio de ensinar português a partir do português apenas. Portanto, esta comunicação objetiva relatar a experiência de uma professora no ensino de português a estrangeiros. Nesse curso específico, os alunos são na maioria russos, mas há também armênios, alemães, uma israelita, um americano e um peruano. Alguns russos também falam alemão. O nível de português dos alunos é bem diversificado, uns já apresentam um nível avançado e outros estavam realmente iniciando os estudos. As aulas são online com dois encontros semanais de 1h30 cada. O material didático ‘Muito Prazer – Fale o português do Brasil’ da Editora Disal foi utilizado e a estratégia adotada envolveu começar do início até alcançar os que estão no nível mais alto. Todos os alunos falam em aula, leem os textos e enunciados diante do grupo para se acostumar com a entonação da língua portuguesa e com a pronúncia. Houve e ainda há dificuldades a serem superadas, como, por exemplo, a conjugação verbal do português com suas exceções, o imperativo, a mudança verbal do discurso direto para o indireto. Nos momentos críticos, mais exemplos foram oferecidos para tentar esclarecer as dúvidas e a ajuda entre os estudantes foi incentivada. O grupo de russos utilizou um aplicativo de mensagens como apoio para as dificuldades. Outros estudantes traziam exemplos da internet que os ajudavam na compreensão do conteúdo. Dois estagiários também assistiram a algumas aulas e um deles ajudou a explicar, em inglês, o uso do imperativo no português. O curso está em andamento e os resultados preliminares apontam os impactos das aulas no desenvolvimento da proficiência linguística em português. Os estudantes estão falando de forma espontânea, como nas seguintes situações: contando o que acharam estranho quando chegaram ao Brasil, descrevendo a experiência da temperatura mais baixa que já vivenciaram, apresentando lugares belos em seus países e o que eles gostam de fazer nesses locais, e apresentando um prato típico e seus ingredientes. As atividades comunicativas têm demonstrado o quanto os estudantes estão se familiarizando com a língua portuguesa e suas culturas. É importante salientar que não está no escopo deste trabalho traçar paralelos entre o ensino de português com o inglês como língua mediadora e o ensino de português sem o inglês como língua mediadora.

  • Palavras-chave
  • Português para estrangeiros, Português como língua adicional, ensino de português, desafios e possibilidades.
  • Área Temática
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br