A CONSTRUÇÃO DE SABERES DOCENTES: EXPERIÊNCIAS DE ESTÁGIO EM HISTÓRIA

  • Autor
  • Júlia Souza Franco
  • Co-autores
  • Cíntia Régia Rodrigues
  • Resumo
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    Os Estágios em História I, II e III foram realizados ao longo do ano de 2024 e no primeiro semestre de 2025, constituindo uma etapa fundamental na formação dos professores de História e na construção dos saberes docentes, uma vez que proporcionam contato direto com o ambiente escolar da educação básica e com as práticas de ensinar História. Cada disciplina de estágio foi orientada por um tema, que relacionou-se às leituras e às atividades desenvolvidas ao longo do semestre na Universidade e nas escolas. No primeiro, intitulado “A formação do professor de História”, realizamos horas-aula práticas com uma turma de 9º ano do Ensino Fundamental II, onde o tema da “Revolução Russa” foi trabalhado a partir de aulas expositivas, baseadas nas concepções metodológicas de Antoni Zabala (ZABALA, 1998). Utilizamos um ateliê de história para introdução do tema e um painel coletivo para encerramento, com o objetivo de socializar e elucidar os conhecimentos construídos nas aulas. A segunda disciplina de estágio foi orientada pelo “Uso de fontes em sala de aula” e a prática com os alunos do 8º ano requereu a construção de um material didático utilizando fontes históricas. A proposta foi de que a turma  criasse cartazes de propaganda como se fizesse parte das Revoltas Regenciais ocorridas no Brasil no século XIX, mobilizando assim saberes atitudinais e procedimentais dos estudantes. Embora a proposta tenha se baseado nas definições de material didático de Circe Bittencourt, ao analisarmos criticamente nossos resultados, evidenciamos que a função mediadora da atividade não ocorreu (BITTENCOURT, 2008).  Fatores como a dinamicidade da sala e o próprio caráter experiencial de estágio contribuíram para que não houvesse debate sobre as construções feitas pelos alunos, portanto, nossa tentativa falhou em configurar-se como um material didático. A última disciplina de estágio,  “Construção de saberes docentes”, foi realizada com uma turma de 1º ano do Ensino Médio. Nos foi solicitada a realização de uma aula-oficina, para tanto, nos valemos da metodologia da historiadora Isabel Barca (BARCA, 2004) para uma análise de fontes contemporâneas sobre os usos do passado do Egito Antigo. As fontes foram de escolha dos estudantes e abrangeram materiais da atualidade. Em suas apresentações, os alunos trouxeram jogos, filmes e memes, que nos levaram a observar efeitos positivos gerados por propostas que aproximam-se de suas realidades e de materiais de seu interesse, como maior engajamento e atribuição de sentido à aprendizagem. Este último estágio encerrou o ciclo dos estágios em ambientes formais de ensino e, remontando ao seu tema, integrou ideias que vinham sendo construídas desde a primeira disciplina. Com as vivências em estágio, fica evidente que a construção dos saberes docentes é algo dinâmico que, sendo parte da formação continuada do professor, ocorrerá enquanto houver exercício da docência.

  • Palavras-chave
  • Estágio em História; Experiências de estágio; Saberes docentes;
  • Área Temática
  • Ensino Médio
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
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Comissão Científica

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Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
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Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
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Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
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