Êxito do estágio curricular obrigatório em Educação Especial: a importância da relação estagiário e supervisão

  • Autor
  • Karina Albuquerque Barreto
  • Co-autores
  • Julianne de Deus Corrêa Pietzak
  • Resumo
  •  

    O estágio curricular obrigatório é uma etapa fundamental na formação do acadêmico porque contribui no processo de aprendizagem – sendo um reforço ao que foi aprendido em sala de aula da universidade –, seja provocando reflexões críticas para que esse estagiário possa atuar junto aos alunos com necessidades educacionais especiais. Este trabalho  tem como objetivo abordar os efeitos do estágio obrigatório na construção da identidade profissional do acadêmico do curso de Licenciatura em Educação Especial da FURB.  Para o desenvolvimento deste trabalho, será utilizada abordagem qualitativa, com método bibliográfico e documental, apoiada em relatórios de estágios elaborados desde o 2º semestre de 2023. A partir da 4ª fase do curso os estágios são obrigatórios, devendo permearem todas as etapas da Educação Básica a fim de contribuir na ampla formação do futuro professor. Até o momento a acadêmica passou por quatro estágios: o primeiro com estudantes de curso superior, e os demais com alunos da educação infantil, passando também por anos iniciais e anos finais do ensino fundamental. Além disso, as experiências ocorreram em ambientes diversificados, desde instituição de ensino superior e profissionalizante a escolas municipais de Pomerode. Durante os estágios foi percebido um campo rico de aprendizados, principalmente saber reconhecer o outro, quais as necessidades a serem supridas, as dificuldades a serem sanadas e os potenciais a serem explorados. Na prática, a estagiária pode desenvolver competências e habilidades, como empatia, ao desenvolver maior compreensão e acolhimento para atender as necessidades dos alunos; o trabalho em equipe a partir da interação e troca de experiências com a supervisão; a adaptabilidade haja vista que foi necessário ajustar as abordagens para os alunos atendidos; e know-how, no sentido de saber colocar em prática as teorias e conhecimentos apreendidos na universidade e saber operá-los em sala de aula. O ponto crucial para o estágio bem sucedido foi a relação bem estabelecida com a supervisão do ambiente de estágio. A interação social, com comunicação assertiva, postura humanizada e profissional fez a diferença para a consolidação das atividades a serem desempenhadas durante o estágio, contribuindo na confiança e motivação da estagiária. Além disso, percebeu-se que uma supervisão qualificada quando tem comprometimento com a educação inclusiva, sem mascarar dados e fatos, contribui significativamente na reflexão dos desafios e aprendizados que a profissão exige. Até o momento, o estágio obrigatório em instituições com preparo e qualificação para a inclusão tem feito toda a diferença no currículo da acadêmica, haja vista que a vivência em observação e intervenção de alunos com diversas necessidades educativas têm sido oportunidades para compreender a realidade de um possível percurso humanizatório que a Educação Especial pode realizar.

  • Palavras-chave
  • Estágio curricular obrigatório, Educação Especial, Educação Básica, Educação Superior, Supervisão, Humanização
  • Área Temática
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
Voltar

O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br