Este resumo trata da atuação de três bolsistas integrantes do Programa PIBID-FURB no subprojeto de Música. A atuação se deu na Escola Básica Municipal Alberto Stein, com a turma do 6º ano A do Ensino Fundamental, sob a supervisão da professora de Artes/Música, mestranda em Música, Bruna Hedler. A proposta teve como objetivo principal desenvolver a escuta crítica e analítica dos estudantes, além de proporcionar uma introdução aos processos de produção musical. A música selecionada foi “Paraisso”, de Jade Safirah, escolhida por sua riqueza estética, cultural e variedade de elementos sonoros.A metodologia foi organizada em três etapas de escuta e uma roda de conversa ao final da atividade. Na primeira parte os alunos ouviram a música sem direcionamento, realizando anotações livres sobre suas impressões. Na segunda etapa, receberam uma tabela para analisar aspectos relacionados à letra e à interpretação vocal, incluindo tema, mensagem principal, uso da voz e a relação entre letra e canto. Na terceira escuta, a atenção foi voltada para os instrumentos, estrutura, atmosfera, efeitos e interação entre instrumental e vocal.Após as etapas de audição, ocorreu uma roda de conversa em que os alunos compartilharam suas percepções e interpretaram a música coletivamente, desenvolvendo a argumentação e a capacidade de relacionar diferentes elementos musicais. Também foi realizada uma explicação breve sobre os processos que envolvem a produção musical, abordando composição, arranjo, gravação, mixagem, masterização e etc, para ampliar a compreensão do contexto de criação de uma obra.A atividade obteve resultados condizentes com a faixa etária dos alunos. Embora o engajamento não tenha sido alto, houve esforço por parte da maioria, especialmente durante a roda de conversa, que se mostrou produtiva. Alguns alunos se sentiram à vontade para refletir sobre a letra da música, enquanto outros participaram de forma mais tímida(passiva), o que é natural nesse tipo de proposta. A introdução aos processos de produção musical despertou curiosidade pontual, com algumas perguntas espontâneas. No geral, a proposta cumpriu o objetivo de estimular a escuta crítica e ampliar a percepção musical dos estudantes. Para os bolsistas, a experiência contribuiu significativamente para a formação docente, ao proporcionar contato direto com a prática em sala de aula.Dessa forma, a experiência demonstrou que é plenamente possível trabalhar elementos como escuta crítica, análise musical e noções básicas de produção musical com crianças do Ensino Fundamental. Quando conduzidas com sensibilidade e mediação adequada, atividades como essa despertam o interesse dos alunos e ampliam sua percepção sobre a música, promovendo não apenas o desenvolvimento de competências musicais, mas também habilidades de escuta, argumentação e reflexão. Além disso, reafirma-se a importância de propor práticas significativas e contextualizadas no ensino de música.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br