A literatura exerce um papel essencial no desenvolvimento sensível e integral dos estudantes, pois permite não apenas o aprimoramento de competências linguísticas e discursivas, como também promove a reflexão sobre questões humanas por meio do contato com diferentes culturas, valores e visões de mundo. Diante disso, o presente resumo relata a experiência de elaboração e aplicação de um projeto de letramento literário, desenvolvido no âmbito do subprojeto interdisciplinar do PIBID Letras e Teatro, com foco na exploração do gênero narrativo de mistério. A iniciativa teve como objetivo incentivar a leitura e ampliar o repertório cultural e estético dos estudantes, por meio da articulação entre literatura, língua inglesa e práticas teatrais. A metodologia baseou-se em uma atividade diagnóstica aplicada a uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental, em uma escola da rede municipal de Blumenau, na disciplina de Inglês. Essa atividade diagnóstica revelou que a maioria dos alunos não possui o hábito da leitura e poucos demonstraram ler por interesse próprio. Com base nas preferências declaradas pelos estudantes, estruturou-se um projeto que envolveu contos de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, autores relevantes para a literatura inglesa e amplamente reconhecidos por sua contribuição ao gênero mistério. A proposta foi fundamentada nos princípios dos projetos de letramento conforme discutido por Oliveira, Tinoco e Santos (2014), valorizando o papel ativo do leitor na construção de sentidos e o vínculo entre texto, contexto e experiência estética. As atividades desenvolvidas incluíram leitura coletiva de contos selecionados, a realização de um jogo de detetive baseado na resolução de enigmas narrativos e a criação de um podcast original, no qual os alunos escreveram e interpretaram seus próprios contos de mistério. Observou-se um aumento significativo no engajamento dos estudantes, que demonstraram entusiasmo e envolvimento ativo nas diferentes etapas do projeto. Como resultado, destaca-se o fortalecimento de habilidades de leitura e escrita, o estímulo à criatividade e o desenvolvimento da oralidade, além do trabalho colaborativo entre os participantes. A experiência apresenta impactos positivos para a formação acadêmica dos licenciandos envolvidos, pois proporcionou vivência prática com planejamento e mediação pedagógica em contexto real de sala de aula, integrando ensino, pesquisa e extensão. Ressalta-se o caráter interdisciplinar da proposta, que promoveu um diálogo efetivo entre diferentes áreas do conhecimento e metodologias inovadoras de ensino, reafirmando a relevância do trabalho coletivo e criativo na formação de leitores e sujeitos críticos.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br