ENSINO RELIGIOSO E GÊNERO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NO CURRÍCULO BASE DO TERRITÓRIO CATARINENSE

  • Autor
  • Gisele Cristina da Câmara
  • Co-autores
  • Katilene Willms Labes
  • Resumo
  • O objetivo deste trabalho é analisar como as questões de gênero são abordadas no componente curricular Ensino Religioso, a partir do Currículo Base do Território Catarinense – CBTC (Santa Catarina, 2019). A escola, enquanto espaço de formação cidadã, frequentemente naturaliza e reproduz estruturas patriarcais, o que valida a necessidade da construção de currículos críticos e que promovam a equidade de gênero. O Ensino Religioso tem grande potencial para promover um trabalho crítico sobre as relações de gênero, sobretudo no que se refere à presença e participação das mulheres nas tradições religiosas e filosofias de vida.  Para tanto, o objetivo específico consistiu em mapear e analisar o currículo de Ensino Religioso na perspectiva da promoção de uma reflexão crítica sobre questões de gênero; O aporte teórico utiliza autores/as como Beauvoir (1980), Butler (2003), Louro (1997), Marinho (2022), Oliveira (2009), Pacheco (2006), Rosado (2001), Sacristán (2000), Scott e Veiga (1989); Pedro (2019), dentre outros/as. A metodologia adotou uma abordagem de natureza qualitativa, tendo como contexto investigado o texto introdutório, as indicações metodológicas e os objetivos de aprendizagem da área do Ensino Religioso do CTBC, analisado por meio da análise de conteúdo.  Embora o currículo catarinense reconheça a diversidade como princípio formativo da educação escolar, observa-se a ausência de abordagens específicas voltadas às questões de gênero. No entanto, o currículo não se apresenta de forma engessada, conferindo aos professores autonomia para desenvolver os conteúdos, desde que estejam alinhados aos objetivos de aprendizagem previstos. Diante do panorama preocupante da violência de gênero em Santa Catarina, corroborado por dados estatísticos alarmantes e reconhecido em legislações como o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres e as recentes alterações na LDB, torna-se imperativo que escola seja espaço de transformação social. A histórica invisibilidade e o silenciamento das mulheres, de forma especial para esse estudo, no contexto religioso, ressaltam a urgência de uma abordagem sistêmica que desafie as mentalidades que perpetuam a discriminação e a violência. O Ensino Religioso, ao abordar criticamente a temática de gênero pode promover reflexões aprofundadas, usando como aporte os avanços da teologia feminista, que questiona tradicionalismos sem fundamento teológico e interpretações textuais sexistas. Os resultados indicam que, apesar da ausência, há espaço para a inserção da temática por meio dos objetivos de aprendizagem, os quais possibilitam o desenvolvimento de práticas pedagógicas voltadas à equidade de gênero e ao enfrentamento das violências e preconceitos. E, como bem nos ensina Paulo Freire (1996) “ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo”. 

  • Palavras-chave
  • Ensino Religioso, Gênero, Currículo.
  • Área Temática
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes

Simone Riske Koch - srkoch@furb.br

Nathan Camilo - ncamilo@furb.br