Este resumo apresenta a experiência de um estágio curricular obrigatório na Licenciatura em Teatro, o Estágio Entre Linguagens Artísticas, que procura realizar estágios em espaços não-formais de ensino. O Estágio se deu no terceiro semestre do curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Regional de Blumenau (FURB), em que, duas acadêmicas, desenvolveram uma atividade artística em ambiente hospitalar, em parceria com a Associação Casa de Apoio de Blumenau e sob supervisão da Profª Dra. Caroline Carvalho. O trabalho foi realizado com crianças em tratamento oncológico, com o intuito de investigar e aplicar a contação de histórias como prática artística e pedagógica capaz de oferecer um refúgio diante das rotinas médicas e das adversidades emocionais vivenciadas pelos pacientes. Conforme Spolin (2001) e Desgranges (2006), o jogo e a prática teatral criam espaços simbólicos de liberdade e experimentação, atuando como contraponto ao cotidiano opressor. A proposta partiu da compreensão de que a arte e, em especial o teatro, pode atuar como um espaço de acolhimento, imaginação e escuta sensível. Segundo Silva e Nunes (2014), as narrativas oferecem às crianças um ambiente seguro e imaginativo para explorar e expressar sentimentos, medos e anseios. As ações foram realizadas com o uso de objetos interativos como colheres de madeira decorados, aventais lúdicos, figurinos e fantoches, que segundo Koudela (2006) e Kishimoto (1994), potencializam a participação ativa e a construção simbólica na experiência lúdica. A execução das atividades incorporou a linguagem da teatralidade (Pavis, 2008; Cohen, 2011) como elemento estruturante das narrativas, valorizando a escuta ativa, o olhar atento e o respeito ao tempo de cada criança. As visitas tiveram duração média de 40 minutos a 1 hora e ocorreram nas alas pediátricas, onde o contato direto com os pacientes evidenciou a importância de práticas pedagógicas sensíveis e adaptadas. O poder simbólico presente na teatralidade, conforme Bourdieu (1989) e discutido por Desgranges (2010), mostrou-se capaz de gerar encantamento, afetividade e momentos de transformação em meio à rotina hospitalar. A experiência revelou-se transformadora não apenas para as crianças e adolescentes atendidos, mas também para as acadêmicas, que relataram sentir-se mais animadas e energizadas após cada visita. O estágio permitiu vivenciar espaços de ensino não formais, muitas vezes invisibilizados, reafirmando o papel da arte e, particularmente, da contação de histórias, quanto elemento de teatralidade, como potente instrumento de humanização e transformação social.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br