A Geometria da Vida: Interdisciplinaridade, Movimento e Expressão no Cotidiano Escolar

  • Autor
  • Julianne de Deus Corrêa Pietzak
  • Co-autores
  • Júlia Tavella , Josefa Neta Pires Bezerra , Sheila Cristina Soares
  • Resumo
  •  

    A sequência didática intitulada “A Geometria da Vida” foi desenvolvida pelo Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), Subprojeto Interdisciplinar (Letras, Educação Especial, Pedagogia e Dança), na Escola de Educação Básica João Durval Müller, com a turma do 4º ano 1 teve como objetivo explorar a relação entre formas geométricas, padrões da natureza, movimentos corporais e linguagem verbal, promovendo o desenvolvimento do raciocínio matemático, da expressão artística e da comunicação. O trabalho emergiu de uma escuta atenta às curiosidades dos estudantes sobre a presença da geometria em seu cotidiano. O ponto de partida foi a pergunta: “Como a geometria está presente em nossa vida?”. A geometria é compreendida como a área da matemática que estuda formas, dimensões, posições e propriedades dos espaços e corpos. Nesta proposta, ela foi abordada a partir da realidade dos estudantes, mapeando conhecimentos prévios, dúvidas e curiosidades. As atividades envolveram vídeos, imagens, observações do entorno escolar e representações geométricas com o corpo. Durante as aulas, os estudantes trouxeram objetos de casa para análise individual e coletiva, ampliando as possibilidades para além da sala de aula. Também confeccionaram animais geométricos com o apoio das famílias. Por meio da observação, diálogo e experimentação, construíram conhecimento de forma coletiva e prazerosa, reconhecendo a geometria como parte viva de seu entorno, para além do conteúdo do livro didático. Os estudantes também produziram relatos a partir das experiências vivenciadas, compondo um diário coletivo. O ponto alto da sequência foi a exposição dos Animais Geométricos, momento de criatividade e protagonismo, em que cada grupo apresentou sua construção e compartilhou o processo com as demais turmas do 1º ao 5º ano. A proposta promoveu a aprendizagem da matemática por meio da corporeidade, da linguagem e da arte, valorizando múltiplas formas de expressão e compreensão do mundo. Ao integrar movimento, produção textual, observação do ambiente e atividades práticas, rompeu-se com a fragmentação do conhecimento e estimulou-se o pensamento crítico e a colaboração entre os estudantes. Os resultados foram visíveis na apropriação dos conceitos geométricos, na expressividade das apresentações e na ampliação da consciência sobre espaço, corpo e linguagem. Para as bolsistas do PIBID, a experiência ampliou a formação inicial, por meio da articulação entre teoria e prática, do diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e da atenção às especificidades dos estudantes. A participação ativa nas regências, a elaboração coletiva das atividades e a escuta sensível fortaleceram competências essenciais à atuação profissional. A proposta evidenciou o valor do trabalho em parceria entre universidade e escola pública, promovendo práticas inclusivas e interdisciplinares com impacto positivo na formação docente inicial.

     

  • Palavras-chave
  • Educação Básica, PIBID, Interdisciplinaridade, Geometria, Corpo e Movimento.
  • Área Temática
  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
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O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).

O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.

Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):

A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].

Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.

No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.

O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.

A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.

E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.

Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?

Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:

- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.

- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.

- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.

- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.

- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.

Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!

 

Simone Riske-Koch e Nathan Camilo

Primavera de 2025.


[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.

  • Educação Infantil e Ensino Fundamental - Anos Iniciais
  • Ensino Fundamental - Anos Finais
  • Ensino Médio
  • Educação Especial e Modalidades de Ensino
  • Políticas, Currículos e Formação Docente

Comissão Organizadora

Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira

Comissão Científica

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Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
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Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
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Elcio Schuhmacher
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Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
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Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
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Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
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Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
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Tiago Pereira
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