Este trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivida durante o estágio de Educação Física (EF) na educação infantil ocorrido no primeiro semestre de 2025 no Centro de Educação Infantil (CEI) Aldolino Guesser em Massaranduba/SC. O estágio ocorreu entre os dias 04 a 30 de Abril sendo uma disciplina obrigatória da grade curricular do curso de EF ofertada pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB) durante o 7º semestre. As aulas de Educação Física na Educação Infantil são essenciais para o desenvolvimento integral da criança. Por meio do movimento, as crianças aprendem sobre si mesmas, sobre o outro e sobre o mundo, de forma lúdica, prazerosa e eficiente. O estágio de licenciatura do curso ocorre em duplas e possui uma carga horária de 36 horas/aula, sendo 18 horas de observação e 18 horas de intervenção, os estagiários são acompanhados por um professor supervisor em campo e pelo professor da disciplina. No decorrer das aulas trabalhamos com as turmas de Berçário até a Pré-Escola, no começo tivemos bastante dificuldade para montar atividades principalmente para os bebês, porém ao decorrer das aulas e conversando com a professora supervisora e as pedagogas nos adaptamos ao tempo e às características das crianças. No Berçário (1-2 anos) trabalhamos a coordenação motora fina com movimentos de pegar e soltar, músicas e atividades sensoriais. Nas turmas do Jardim e Maternal (2 a 4 anos) as atividades consistiam em circuitos motores que envolviam habilidades como correr, saltar e agachar. Na Pré-Escola (5 anos) foram explorado pequenos jogos e brincadeiras, nesta turma lidamos com dois alunos com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), durante o período de observação notamos que os professores na maioria das vezes não incluíam os alunos durante as atividades que acabavam por ficar apenas com a professora auxiliar separados dos demais. Já na intervenção eles foram estimulados a participar em conjunto com o restante dos colegas, em grande parte responderam positivamente às interações, porém em situações de mudança de rotina, essa interação se tornava mais complicada. Um dos principais aprendizados foi compreender que durante as aulas o planejamento precisou ser alterado, pois foi notado que os alunos não conseguiam manter a concentração por muito tempo, além disso a rotina a ser seguida difere de outros estágios obrigatórios, que acaba ocorrendo, por vezes durante as aulas de EF, como a hora do lanche, o almoço, a soneca, etc. Mesmo com poucas aulas foi possível criar um vínculo com as crianças, sendo um dos momentos mais marcantes o começo das aulas quando os alunos nos receberam com abraços carinhosos. Esta experiência foi extremamente enriquecedora e reafirmou que estamos no caminho certo, e esse caminho é a Educação.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br