A atividade intitulada “Jogo da Memória de Retratos Desenhados” foi criada por um grupo de discentes do curso de Artes Visuais, no contexto da disciplina Desenho da Figura Humana, como parte de uma prática pedagógica voltada à construção de propostas aplicáveis à Educação Básica. A iniciativa buscou unir aspectos técnicos do desenho de retratos à dimensão lúdica do jogo, criando um espaço de aprendizagem que valorizasse a observação, a interação social e a expressão artística.O processo teve início com a elaboração dos jogos pelas próprias discentes, de forma a vivenciarem todas as etapas criativas antes de pensar em adaptações para outros contextos. Organizadas em duplas, as participantes foram desafiadas a desenhar o retrato uma da outra, estimulando o olhar atento para as características físicas, expressões faciais, proporções e detalhes singulares que compõem a identidade visual de cada colega. Esse exercício de observação não apenas contribuiu para o desenvolvimento técnico do desenho, mas também despertou a sensibilidade para nuances subjetivas e expressivas presentes no ato de retratar.Em seguida, cada participante produziu seu próprio autorretrato, criando assim o par de cartas correspondente no jogo da memória. Dessa forma, o conjunto final de cartas apresentava pares compostos por um retrato e um autorretrato da mesma pessoa, todos elaborados de forma autoral. O jogo foi então utilizado pela turma, proporcionando momentos de descontração, reconhecimento e interação, à medida que os estudantes buscavam associar as cartas a partir das semelhanças e dos elementos marcantes presentes nas imagens.A proposta mostrou-se eficaz na promoção de múltiplos objetivos pedagógicos. Do ponto de vista técnico, favoreceu o aprimoramento do traço, da proporção e da percepção visual. No aspecto relacional, estimulou a socialização e o fortalecimento de vínculos afetivos, já que cada retrato carregava também uma dimensão de afeto e de troca entre as participantes. Além disso, provocou reflexões sobre o papel do retrato como recurso criativo, comunicativo e relacional na Arte, explorando seu potencial de representar não apenas a aparência, mas também a subjetividade e a identidade.Por se tratar de uma proposta de baixo custo, facilmente adaptável e que pode ser aplicada com diferentes faixas etárias, o “Jogo da Memória de Retratos Desenhados” apresenta-se como uma alternativa pedagógica relevante para o ensino de Arte na Educação Básica. Sua estrutura combina técnica e ludicidade, incentivando a participação ativa dos estudantes e integrando a prática artística a um contexto interativo e sensível. Dessa forma, a atividade reafirma a importância de metodologias que conciliem o desenvolvimento artístico com o prazer de aprender, potencializando o ensino de Arte de maneira criativa e significativa.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br