O presente resumo aborda a experiência docente de dois bolsistas do PIBID da FURB, subprojeto de Música, em uma aula desenvolvida na EBM Paulina Wagner em uma turma de 8º ano. A aula teve supervisão do professor de Artes da escola, com formação específica em Música. Considerando que atuação docente dos pibidianos no PIBID se configurava como a primeira experiência docente em sala de aula, optou-se por desenvolver uma aula de temática elementar no contexto do ensino de música, isto é, discutindo as chamadas propriedades físicas do som. A aula aqui abordada tratou especificamente da propriedade ALTURA, ou seja, a propriedade que representa sons graves e agudos. Assim, o objetivo principal foi proporcionar aos alunos uma compreensão prática e teórica sobre como a altura do som pode variar e ser manipulada, utilizando tanto a voz quanto um instrumento musical. A atividade iniciou-se com a apresentação de um gráfico, cuidadosamente desenhado no quadro, que ilustrava as variações de altura sonora em uma escala contínua. Esse gráfico serviu como guia visual para que os alunos pudessem compreender e acompanhar as mudanças de frequência que caracterizam a altura do som. Com o gráfico à vista, os alunos foram convidados a realizar um glissando vocal em grupo. Essa técnica consiste em deslizar a voz de uma nota para outra de forma contínua, sem saltos ou pausas no som, seguindo a trajetória indicada no gráfico. A prática coletiva permitiu que os alunos sentissem a variação da altura do som de maneira integrada, desenvolvendo a percepção auditiva e o controle vocal. Na sequência, a atividade foi aplicada ao violão, utilizando a técnica do slide para deslizar as cordas e reproduzir o glissando. Os alunos foram orientados sobre como posicionar o slide e realizar o movimento suave ao longo das cordas. Em seguida, os alunos praticaram em duplas, com o violão deitado sobre uma mesa. Enquanto um aluno pulsava as cordas com uma palheta, o outro deslizava o slide sobre as cordas, orientados pelo professor, que utilizava o gráfico para indicar as variações de altura a serem executadas. Os alunos conseguiram relacionar a representação gráfica da altura do som com a prática vocal e instrumental. Houve desenvolvimento significativo da percepção auditiva em relação à variação contínua da altura. A técnica do glissando foi compreendida e executada com sucesso tanto na voz quanto no violão, evidenciando a aplicabilidade do conceito teórico. A interação entre teoria e prática facilitou a fixação do conteúdo e despertou o interesse pela exploração sonora. A utilização do gráfico como ferramenta visual foi fundamental para a compreensão do conceito Altura e para a orientação durante a prática, sendo também um momento de aprendizagem para os pibidianos, que estão em processo de formação pelo PIBID.
O XVIII Seminário das Licenciaturas e o XI Seminário Integrado do PIBID constituem um espaço consolidado de diálogo e construção coletiva dos cursos de Licenciaturas da Universidade Regional de Blumenau (FURB).
O evento teve como objetivo socializar práticas educativas de ensino, pesquisa e extensão relacionadas à educação, articuladas à temática “Práticas educativas colaborativas”. Trata-se de um convite para refletirmos sobre os caminhos da formação docente e sobre as práticas que escolhemos construir e vivenciar.
Conforme Bandeira e Ibiapina (2014, p. 111):
A prática educativa é uma ação social intencional, é parte integrante da vida, do crescimento da sociedade. Todos nós desenvolvemos prática educativa, independentemente do contexto, da concepção filosófica e pedagógica[1].
Em tempos de desafios complexos na educação, pensar e praticar o ensino de forma colaborativa não é apenas uma escolha metodológica — é um posicionamento ético, político e transformador. As práticas colaborativas rompem com a lógica individualista, valorizam o diálogo e reconhecem cada sujeito como parte ativa do processo educativo.
No contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), essa colaboração se evidencia ainda mais. O programa, que integra a Política Nacional de Formação de Professores, fomenta a iniciação à docência e contribui para a melhoria da educação básica pública, por meio da CAPES. Atualmente na FURB, o PIBID envolve seis subprojetos, nove cursos de licenciatura, 17 escolas, 18 professoras/es supervisoras/es, 12 docentes da universidade e 144 estudantes, além de duas redes de ensino (municipal e estadual) — uma iniciativa que se expande e se fortalece.
O PIBID nos permite vivenciar a escola como espaço de troca, de escuta e de construção conjunta. As/os licenciandas/os, ao lado de professoras/es experientes, aprendem além de conteúdos e estratégias pedagógicas, a importância de trabalhar em rede, de planejar em grupo, de refletir coletivamente sobre os desafios da prática.
A colaboração, nesse sentido, não se limita à sala de aula. Ela se estende à gestão democrática, à articulação com as famílias, à integração entre universidade e escola. É uma prática que exige abertura, humildade e disposição para aprender com o outro.
E é justamente essa postura colaborativa que pode transformar a educação. Quando professores se apoiam, quando estudantes são protagonistas, quando o saber é compartilhado, criamos espaços mais justos, mais inclusivos e mais potentes.
Dessa forma, o seminário nos convidou a analisar: Como temos colaborado? Como temos promovido práticas que valorizam o coletivo em nossas licenciaturas? Como podemos fortalecer ainda mais essa rede de educadoras/es comprometidas/os com a transformação social?
Neste caderno compartilhamos os resumos dos 109 trabalhos apresentados no evento, os quais estão organizados, a partir dos eixos temáticos em cinco partes:
- Parte I: reúne as produções voltadas à Educação Infantil e aos anos iniciais do Ensino Fundamental.
- Parte II: contempla os trabalhos referentes aos anos finais do Ensino Fundamental.
- Parte III: apresenta as produções desenvolvidas no âmbito do Ensino Médio.
- Parte IV: abrange os trabalhos relacionados à Educação Especial e às diferentes modalidades de ensino.
- Parte V: reúne estudos e reflexões sobre Políticas Educacionais, Currículos e Formação Docente.
Que este caderno, resultado do seminário, nos inspire a seguir construindo uma educação colaborativa, democrática e humana. Desejamos a todas e todos uma excelente leitura!
Simone Riske-Koch e Nathan Camilo
Primavera de 2025.
[1] BANDEIRA, Hilda Maria Martins; IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Prática educativa: entre o essencialismo e a práxis. Revista da FAEEBA: educação e contemporaneidade, Salvador, v. 23, n. 42, p. 107-117, jul./dez. 2014.
Comissão Organizadora
Antonio José Müller
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Leonardo Brandão
Nathan Camilo
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Tiago Pereira
Comissão Científica
Adolfo Ramos Lamar
Adriana Fischer
Antonio José Müller
Brigitte Klemz Jung
Camila Grimes
Carla Carvalho
Cintia Metzner de Sousa
Cíntia Régia Rodrigues
Cleide dos Santos Pereira Sopelsa
Cyntia Bailer
Daniela Tomio
Denis Augusto de Camargo
Elcio Schuhmacher
Êmili Adriana Stiz
Flavio Booz
Georgia Carneiro da Fontoura
Graziela Alves
Juliana de Mello Moraes
Julianne de Deus Corrêa Pietzak
Karla Lucia Bento
Katilene Willms Labes
Leonardo Brandão
Lucas Schlueter
Luciana Butzke
Marta Helena Cúrio de Caetano
Patrícia Neto Fontes
Roberta Andressa Pereira
Rosângela de Amorim Teixeira de Oliveira
Rozane Fermino
Sandro Lauri da Silva Galarça
Simone Riske Koch
Thais de Souza Schlichting
Thiago Uliano
Tiago Pereira
Vanessa Krueger
Víctor César da Silva Nunes
Walmir Marcolino Gomes
Simone Riske Koch - srkoch@furb.br
Nathan Camilo - ncamilo@furb.br