Introdução: A desnutrição em pacientes com câncer de esôfago é um acometimento geralmente relacionado à disfagia atribuída a estenose esofágica acarretada pela presença de massa tumoral, existindo a possibilidade de ser ocasionada também por hábitos nutricionais atrelados ao estilo de vida e/ou aos efeitos sistêmicos da neoplasia. Dessa forma, sabe-se que o grau da desnutrição está diretamente relacionado com a incidência de complicações no período pós-operatório de esofagectomia, decorrente da diminuição da função do sistema imunológico humoral e celular, bem como alterações de respostas inflamatórias e diminuição dos mecanismos de cicatrizações de feridas (Liao et al., 2020). Com isso, pode-se afirmar que a nutrição enteral pós-operatória precoce se torna imprescindível para fomentar os processos cicatriciais relacionados à esofagectomia, bem como reduzir as complicações, melhorar as respostas do sistema imunológico e diminuir a resposta inflamatória sistêmica, visto que, a utilização da dieta enteral acarreta melhorias significativas no estado nutricional dos pacientes que necessitam ser acometidos de terapia cirúrgica para o prognóstico do tratamento oncológico (Pattamatta et al., 2021). Nesse contexto, o protocolo nutricional para o período pós-operatório é o início precoce da administração de dieta enteral hiperproteica dentro das primeiras 12 a 24h, se houver estabilidade hemodinâmica, independente da via de alimentação, visando corroborar com a recuperação do paciente e consequentemente reduzir o tempo de internação e a melhoria do estado nutricional (BRASPEN, 2019). Objetivos: Avaliar o impacto da utilização de nutrição enteral no estado nutricional e na recuperação cirúrgica de pacientes submetidos a esofagectomia como terapia oncológica. Métodos: Para o presente estudo, foi realizada uma revisão de literatura em que foram selecionados cinco artigos internacionais, todos com texto na íntegra, escritos em inglês e traduzidos para o português, publicados nos últimos cinco anos (2019 - 2024) que traziam dados sobre pacientes submetidos a esofagectomia como terapia oncológica. Foram excluídos trabalhos de conclusão de curso (TCC), revisões de literaturas, artigos relacionados a outros acometimentos e que tratavam sobre terapia nutricional antes da cirurgia. Para consulta dos artigos científicos foi utilizada como base de dados National Library of Medicine (PubMed), acessado em março de 2024. Os descritores utilizados nas pesquisas foram: “Neoplasia esofágica (Esophageal Neoplasms)”, “Terapia Nutricional (Nutrition Therapy)” e “Dieta (Diet)”, juntamente com a utilização dos operadores boleanos AND e OR.
Resultados: Foram incluídos cinco artigos que avaliavam o estado de desnutrição em pacientes que foram submetidos a esofagectomia no tratamento do câncer. O primeiro (Liao et al., 2020) tinha como propósito avaliar a alimentação enteral precoce em pacientes com câncer de esôfago após ressecção e reconstrução esofágica, onde foi demonstrado que houve redução do tempo de internação após o procedimento. No estudo de Pattamatta et al. (2021), foi avaliado o efeito da alimentação direta após a esofagectomia minimamente invasiva nos custos e na qualidade de vida, no qual foi visto que, teve uma reposta positiva na qualidade de vida e uma redução da necessidade de auxílio em suas casas. No terceiro estudo (Ohkura et al.,2018), foi analisado a eficácia da fórmula oligomérica (HINE E-GEL) versus a fórmula polimérica (MEIN) após a esofagectomia para o câncer de esôfago com reconstrução de tubo gástrico, no qual foi possível notar que a fórmula oligomérica tem um bom potencial na nutrição enteral para o tratamento após a cirurgia. O estudo de Shu-An Wang et al. (2023), trata do manejo nutricional multidisciplinar e a melhoria do estado nutricional em pacientes hospitalizados com o câncer submetidos à cirurgia, onde foi possível ver uma resposta positiva nos pacientes que receberam essa assistência. No último artigo, verifica a alimentação oral direta após esofagectomia minimamente invasiva, onde conseguiu observar que não houve agravamento nas complicações e não impactou em sua reabilitação (Berkelmans et al., 2020).
Conclusão/Considerações finais: Diante disso, pode-se concluir que cada paciente reage de uma forma diferente ao tratamento, contudo, aspectos como a desnutrição, é um fator que pode aumentar o risco de complicações pós cirurgia. Dessa forma, mais estudos sobre; protocolos nutricionais na recuperação cirúrgica em pacientes acometidos de câncer esofágico, faz-se necessário para identificar qual o melhor manejo nutricional para cada indivíduo, visando reduzir a incidência de complicações após a operação e assim, amenizar os casos de desnutrição nesses pacientes. Referências:
LIAO, M. et al. Early enteral feeding on esophageal cancer patients after esophageal resection and reconstruction. Annals of palliative medicine, v. 9, n. 3, p. 816–823, 2020.
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PATTAMATTA, M. et al. Effect of direct oral feeding following minimally invasive esophagectomy on costs and quality of life. Journal of Medical Economics, v. 24, n. 1, p. 54–60, 2020.
OHKURA, Y. et al. Randomized controlled trial on efficacy of oligomeric formula (HINE E-GEL®) versus polymeric formula (MEIN®) enteral nutrition after esophagectomy for esophageal cancer with gastric tube reconstruction. Diseases of the Esophagus, v. 32, n. 5, 2018.
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BERKELMANS, G. H. K. et al. Direct Oral Feeding Following Minimally Invasive Esophagectomy (NUTRIENT II trial). Annals of Surgery, v. 271, n. 1, p. 41–47, 2020.
WANG, Shu-An; LI, Fuchao; ZHU, Jiayu; et al. Multidisciplinary nutritional management improves nutritional and hospitalized outcomes of patients with esophageal cancer undergoing chemoradiotherapy: A randomized control trial. Medicine, v. 102, n. 12, p. e33335–e33335, 2023.
Diretrizes BRASPEN | BRASPEN. BRASPEN. Disponível em: <https://www.sbnpe.org.br/diretrizes>. Acesso em: 27 mar. 2024.
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Palavras-chave: Câncer de esôfago; Terapia nutricional; Dieta enteral.
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