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Como fazer Call for Speakers: guia prático para eventos de todos os portes

Call for Speakers é o processo pelo qual um evento abre inscrições para que palestrantes, pesquisadores ou profissionais submetam propostas de apresentação. Quando bem executado, ele traz diversidade de perspectivas, descobre talentos que o organizador não conhecia e distribui o trabalho de curadoria de forma mais democrática.

Quando mal executado, vira uma enxurrada de submissões desorganizadas, avaliações inconsistentes, comunicação manual com dezenas de candidatos e uma grade montada às pressas com o que sobrou.

Este guia mostra como estruturar um Call for Speakers eficiente — do formulário à publicação da programação.


O que é Call for Speakers e quando usar

Call for Speakers (ou Call for Papers, em contextos científicos) é a abertura formal de um processo seletivo para propostas de conteúdo. O evento publica um edital ou formulário, define os critérios e o prazo, recebe as submissões e seleciona as que vão compor a programação.

É a escolha certa quando:

  • O evento quer descobrir vozes novas além da rede já conhecida do organizador
  • A programação precisa representar diferentes perspectivas, regiões ou perfis profissionais
  • O volume de sessões é grande demais para depender apenas de convites diretos
  • O evento tem caráter científico ou técnico e exige avaliação por pares
  • A credibilidade do processo seletivo é parte da proposta de valor do evento

Não é obrigatório para todos os eventos. Um evento corporativo interno, por exemplo, raramente usa Call for Speakers — a programação é definida internamente. Já um congresso de medicina, uma conferência de tecnologia ou um fórum setorial dificilmente prescindem dele.


Passo a passo para estruturar um Call for Speakers

1. Defina o escopo antes de abrir

Antes de publicar qualquer formulário, responda:

  • Quais tipos de sessão você aceita? (palestra, workshop, painel, apresentação de trabalho, poster)
  • Quais trilhas temáticas estão abertas para submissão?
  • Você aceita palestrantes iniciantes ou exige experiência mínima?
  • Há restrições de cargo, empresa ou especialidade?
  • Quantas vagas existem por trilha?

Essas definições evitam submissões que não têm lugar na programação e poupam o tempo de quem vai avaliar.

2. Crie um formulário de submissão completo

O formulário precisa capturar tudo que a comissão de curadoria precisará para decidir — sem precisar entrar em contato com o candidato para pedir informações adicionais.

Campos essenciais:

  • Título da proposta
  • Resumo (limite de caracteres definido — 300 a 500 é o padrão)
  • Tipo de sessão (palestra, workshop, etc.)
  • Trilha ou área temática
  • Nome completo, empresa, cargo e contato do proponente
  • Mini-bio do palestrante (para avaliação de perfil e, se aprovado, para divulgação)
  • Foto profissional (em alta resolução — já vai precisar na hora de divulgar)
  • Links de vídeos ou apresentações anteriores (opcional, mas muito útil para avaliar didática)
  • Experiência prévia como palestrante

Campos extras podem ser configurados conforme o perfil do evento: área de atuação, nível técnico da apresentação, público-alvo esperado, necessidade de equipamento específico.

3. Estabeleça critérios de avaliação claros

Critérios definidos antes da abertura tornam a avaliação mais objetiva, mais rápida e mais defensável quando um candidato questiona o resultado.

Exemplos de critérios:

  • Relevância do tema para o público do evento
  • Originalidade — a proposta traz perspectiva nova ou repete o óbvio?
  • Qualidade do resumo — está claro o que o participante vai aprender?
  • Perfil e credibilidade do proponente
  • Experiência anterior como palestrante
  • Adequação ao formato e à trilha indicados

Cada critério pode ter um peso diferente conforme as prioridades do evento. Um evento de inovação pode valorizar mais originalidade. Um congresso científico pode pesar mais a credibilidade do proponente.

4. Defina e comunique os prazos com clareza

O edital do Call for Speakers precisa informar:

  • Data de abertura das submissões
  • Data de encerramento
  • Prazo para comunicação dos resultados
  • Data prevista do evento

Prazos claros reduzem a quantidade de e-mails com a pergunta “ainda dá tempo de submeter?”. E comunicar o prazo de resultado é tão importante quanto o de submissão — candidatos que não sabem quando esperar a resposta tendem a enviar follow-ups que consomem o tempo da equipe.

5. Monte a comissão de avaliação

Em eventos de pequeno porte, o próprio organizador avalia as submissões. Em eventos maiores, é indispensável uma comissão — seja interna, seja externa com especialistas do setor.

Cada avaliador precisa:

  • Ter acesso às submissões da trilha que conhece
  • Registrar sua avaliação de forma independente, sem ver as notas dos outros antes de concluir
  • Poder adicionar comentários internos que justifiquem a nota

A consolidação das avaliações — média das notas, identificação de divergências fortes, decisão final — é feita pelo coordenador de curadoria com base nas avaliações individuais.

6. Comunique todos os candidatos — aprovados e reprovados

Esse ponto é frequentemente negligenciado e prejudica a reputação do evento.

Todo candidato que submeteu uma proposta investiu tempo no processo. Ele merece uma resposta — mesmo que seja negativa. A comunicação de resultado deve:

  • Ser enviada para todos, sem exceção
  • Chegar dentro do prazo prometido no edital
  • No caso de aprovação: confirmar os próximos passos (dados para credenciamento, prazo para envio de materiais, formato esperado)
  • No caso de reprovação: agradecer a participação e, quando possível, dar um retorno mínimo sobre o motivo

Cartas de aceite e de recusa padronizadas agilizam esse processo sem perder o profissionalismo. O tom importa: um candidato reprovado que recebeu uma comunicação respeitosa tende a submeter novamente na próxima edição.

7. Integre as propostas aprovadas à programação

A submissão aprovada precisa virar uma sessão na grade. Em muitos eventos, isso ainda é feito manualmente: o organizador copia o título, o nome do palestrante e o resumo de um sistema para outro.

Esse retrabalho é desnecessário quando o Call for Speakers está integrado à ferramenta de programação. A proposta aprovada vira sessão com um clique — título, trilha, dados do palestrante e resumo já preenchidos. O organizador só precisa definir sala e horário.


Erros comuns no Call for Speakers

Formulário muito longo Formulários com 20 campos ou mais assustam candidatos e geram abandono. Peça só o que você realmente vai usar na avaliação.

Prazo de avaliação irreal Abrir 300 submissões com dois avaliadores e quatro dias para decidir é uma receita para avaliações superficiais. Dimensione o prazo conforme o volume esperado e o tamanho da comissão.

Não comunicar o resultado Candidatos sem resposta não voltam nas próximas edições. Pior: comentam sobre isso publicamente.

Avaliação sem critério definido Quando cada avaliador usa um critério diferente — um prioriza quem conhece, outro prioriza o tema, outro prioriza a escrita do resumo —, o resultado final não reflete uma curadoria consistente. Define os critérios antes, não depois.

Desconectar o Call da programação Receber as submissões em uma ferramenta e montar a grade em outra cria retrabalho e risco de erro. O processo fica incompleto quando as duas pontas não conversam.


Como a Doity suporta o Call for Speakers

O módulo de Curadoria da Doity oferece Call for Speakers integrado ao restante do processo de gestão do evento.

O formulário público é configurável: campos, prazos, tipos de trabalho aceitos, critérios de avaliação e carta de aceite automática. As submissões chegam centralizadas, com fluxo de análise, notas internas por avaliador e comunicação direta com os candidatos pela plataforma.

Quando uma proposta é aprovada, ela vira sessão na programação com um clique — sem recadastro, sem copiar e colar. A grade se atualiza automaticamente no site do evento e no aplicativo dos participantes.

Para eventos que realizam Call for Speakers recorrente, o histórico de submissões e avaliadores fica registrado na plataforma, facilitando o planejamento das próximas edições.


Leia também: Curadoria de eventos: guia completo | Como escolher palestrantes para um evento

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Juliana Souza

Apaixonada por transformar ideias em momentos inesquecíveis. Experiência na organização de grandes eventos corporativos, feiras e festivais. Líder criativa e motivadora, sempre em busca de dividir conhecimento, organizar eventos incríveis e impactar as pessoas.