Segundo dia consolida a agroecologia como prática, ciência e estratégia de futuro

O segundo dia de programação foi marcado por uma imersão completa em pesquisas e experiências que atravessam toda a cadeia da produção orgânica — do solo ao mercado, da ciência aplicada à organização social. Ao longo da manhã e da tarde, os três auditórios receberam apresentações simultâneas que evidenciam a maturidade e a diversidade da agroecologia no Brasil.

O segundo dia de programação foi marcado por uma imersão completa em pesquisas e experiências que atravessam toda a cadeia da produção orgânica — do solo ao mercado, da ciência aplicada à organização social. Ao longo da manhã e da tarde, os três auditórios receberam apresentações simultâneas que evidenciam a maturidade e a diversidade da agroecologia no Brasil.

Na parte da manhã, os debates trouxeram forte conexão entre saberes populares e inovação científica. No Auditório 1, temas como o uso de sementes selecionadas localmente, o desempenho de culturas em transição agroecológica e o desenvolvimento de sistemas orgânicos — como no caso do abacaxizeiro — reforçaram o papel da pesquisa adaptada aos territórios. Ainda nesse eixo, a análise da microbiota do solo como indicador de qualidade biológica e risco fitopatológico, a partir de estudo em Jundiaí (SP), ampliou o olhar sobre saúde do solo como elemento central da produção.


No Auditório 2, a cafeicultura e a produção animal ganharam protagonismo. As discussões sobre sistemas agroflorestais no Cerrado e o uso de compostos orgânicos tropicais apontaram caminhos para uma agricultura mais resiliente frente à crise climática. Ao longo do dia, também foram apresentados estudos sobre ovinocultura orgânica em pastoreio racional Voisin, uso de termopotássio e termofosfato na fertilidade do solo, além da eficiência produtiva de bovinos em sistemas integrados orgânicos, ampliando o repertório técnico da produção agroecológica.

Já o Auditório 3 destacou o papel estratégico das políticas públicas, da gestão e da organização coletiva. Temas como a logística de fornecimento da agricultura familiar para os NRE, o perfil de consumo de orgânicos no PNAE e a análise sobre preços de alimentos orgânicos em chamadas públicas evidenciaram os desafios e oportunidades na conexão entre produção e acesso. Ao longo da tarde, estudos sobre gestão familiar, hortas urbanas em Palmas (TO) e experiências de extensão rural e certificação orgânica reforçaram a dimensão social e econômica da agroecologia.

A programação da tarde aprofundou soluções técnicas e inovação aplicada. No Auditório 1, pesquisas apresentaram alternativas sustentáveis para o manejo agrícola, como o uso de resíduo de sisal no controle de fitonematoides, o potencial dos biossurfactantes no manejo ecológico de fitopatógenos, além da avaliação de fertilizantes organominerais e estudos sobre plantas de cobertura, com foco em biomassa e eficiência hídrica. Também se destacaram análises sobre compostos fermentados à base de farinha de peixe, trazendo novas possibilidades para nutrição vegetal.

No Auditório 2, além das abordagens produtivas, o dia trouxe uma dimensão cultural e territorial importante, com a apresentação sobre a criação tradicional de galinhas no Xingu, evidenciando a integração entre conhecimento indígena e práticas sustentáveis. Também foram discutidos temas como certificação da produção orgânica animal em Minas Gerais e a inserção da produção agroecológica na agenda pública, a partir da análise da PNAPO sob a teoria dos múltiplos fluxos.

Encerrando o dia, o Auditório 3 trouxe reflexões sobre governança e articulação do setor, com destaque para os desafios em auditorias internas de grupos de produtores orgânicos, além da construção coletiva do 4º Encontro do Fórum Brasileiro de SPG e OCS, reforçando a importância dos sistemas participativos e das redes colaborativas.

O segundo dia deixa um recado claro: a agroecologia avança com base sólida, integrando ciência, políticas públicas, inovação tecnológica e saberes tradicionais — e se consolida, cada vez mais, como um caminho viável, escalável e necessário para o presente e o futuro da produção de alimentos no Brasil.