Apoiado em uma metodologia de inspiração genealógica, busco investigar os deslocamentos iconográficos de São Sebastião a partir das pinturas renascentistas e barrocas, passando pela apropriação em fotografias homoeróticas, pelas inflexões nas artes queer desenvolvidas no contexto pandêmico do HIV/AIDS, pela adaptação nos cinemas queer, pelo uso de suas imagens em aplicativos gays de relacionamento e em muitas outras visualidades modernas e contemporâneas. A iconografia renascentista de Sebastião, sempre de um corpo branco, jovem, seminu e violado por flechas é, também, a representação de um corpo "belo", às vezes andrógino, que quase sempre convida para um imaginário erótico e sadomasoquista. Entre o final do século XIX e o século corrente, as comunidades queer foram se apropriando dessas imagens, tanto pela via do sofrimento como pela via do erotismo e da sexualidade. Desse modo, tanto tem se reiterado quanto se expandido as figurações do corpo cristão/eurocêntrico e hoje é possível encontrar representações de São Sebastião com corpos negros, transexuais, brasileiros, latinos, gays, trabalhadores, soropositivos e orientais. Busco, então, construir algumas linhas genealógicas das inflexões estéticas desse corpo pop, queer e cristão, analisando como as imagens do santo migram e se transformam, como sobrevivem, afinal, ao se deslocarem por culturas e períodos históricos distintos.
* O link para acesso será enviado no dia do evento, com algumas horas de antecedência.