O LICEX - Grupo de Pesquisa Literatura em campo expandido, do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie (PPGL/UPM), o Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (POSLING/CEFET-MG) e o Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens da Universidade do Estado da Bahia (PPGEL/UNEB) têm o prazer de convidar professores, estudantes e pesquisadores para o II Congresso Literatura em campo expandido, que será realizado presencialmente nos dias 27, 28 e 29 de maio de 2026, no campus Higienópolis da UPM, em São Paulo.
Este Congresso tem como propósito dar continuidade às reflexões acerca da diversidade de caminhos pelos quais a literatura tem, na contemporaneidade, abrigado uma perspectiva expandida, na qual se coloca em diálogo com outras artes e mídias, com outros campos do conhecimento, com a tecnologia, com a sociedade, com o mercado, com a política.
Em sua primeira edição, em 2024, as atividades do Congresso se pautaram em especial nas discussões teórico-conceituais sobre a “literatura em campo expandido” — retomando autores como Rosalind Krauss, Josefina Ludmer e Florencia Garramuño, para citar alguns autores referenciais ao campo —, assim como nos diálogos intermidiáticos e interdisciplinares.
Nesta segunda edição, o foco do Congresso será o livro, pensado em suas múltiplas manifestações ao longo da história e na contemporaneidade, sob perspectiva expandida. Objeto central ao campo dos estudos literários, sendo muitas vezes tomado inclusive como sinônimo de literatura, já se questionou se o livro estaria perto de seu fim: o que vemos, no entanto, é que o livro vem passando por inúmeras metamorfoses, que longe de substituírem o modelo mais comum a ele associado, o códex, com este passam a conviver, expandindo nosso entendimento do que seria esse objeto.
Esperamos, assim, contribuir com as discussões sobre a expansão da literatura e seu diálogo com aspectos associados à materialidade do texto, ao mercado editorial, à relação entre arte e tecnologia, propiciando o desenvolvimento de aparatos teóricos e leituras crítico-analíticas de obras que têm demandado novos modos de abordagem.
Nessa perspectiva, foram delineados três eixos temáticos que nortearão as atividades deste Congresso, a saber:
• O objeto livro e o livro-objeto
No eixo O objeto livro e o livro-objeto, o escopo recai sobre o livro como artefato material e cultural, considerando seus formatos, suportes, modos de circulação e usos, bem como suas reconfigurações quando assume a condição de livro-objeto (híbrido entre obra, dispositivo e peça material). Interessa aqui pensar como a materialidade do texto — papel, encadernação, design, tipografia, cortes, dobras, volumes, inserções e outros elementos físicos — participa da produção de sentido, deslocando fronteiras entre literatura, artes visuais, design e cultura material.
Possíveis linhas de abordagem: (1) materialidade e significação: como decisões gráficas e táteis reorientam a leitura e a interpretação; (2) livro-objeto e narrativas não lineares: regimes de manuseio, performatividade e temporalidades de leitura; (3) circulação e valor: colecionismo, raridade, fetichização e mercados do “objeto-livro”; (4) metodologias para análise de objetos híbridos: crítica literária em diálogo com design, antropologia e estudos de cultura material.
• As artes do livro e o livro de artista
O eixo As artes do livro e o livro de artista abrange o livro como campo de experimentação estética, em que técnicas, linguagens e procedimentos artísticos redefinem a relação entre texto, imagem, corpo e espaço. O livro de artista é entendido como obra em si, e não como mero suporte: nele, a literatura pode operar em tensão com a visualidade, a montagem, a seriação, a intervenção manual, a performance e a exposição, aproximando-se de práticas das artes visuais, da poesia experimental, do cinema, da fotografia e de ações instalativas. Este eixo também contempla a dimensão editorial como gesto criativo: edição, curadoria, autoria compartilhada e processos coletivos de produção.
Possíveis linhas de abordagem: (1) intermidialidade no livro de artista: relações entre palavra, imagem, som e gesto; (2) livro, performance e exposição: o livro como evento, instalação, percurso e experiência; (3) poéticas do arquivo e do documento: apropriação, colagem, reescrita e montagem; (4) edição como prática artística: autoria, coletividade, pequenas editoras e circuitos alternativos; (5) crítica e historiografia: desafios para descrever, classificar e analisar obras que tensionam categorias tradicionais.
• As tecnologias do livro e o livro digital
No eixo As tecnologias do livro e o livro digital, o escopo focaliza as transformações do livro quando atravessado por tecnologias digitais e infraestruturas de rede, considerando não apenas o e-book, mas também narrativas em plataformas, obras programáveis, publicações expandidas, leitura em ambientes conectados e ecologias de dados. O eixo privilegia a compreensão do livro digital como dispositivo técnico-cultural, cujas condições de produção, circulação e leitura envolvem algoritmos, interfaces, protocolos, modelos de negócio e políticas de acesso, abrindo questões sobre autoria, preservação, materialidades do imaterial e modos de atenção.
Possíveis linhas de abordagem: (1) formas e gêneros no digital: hipertextualidade, interatividade, serialidade e literatura em plataformas; (2) interface e experiência: como design, usabilidade e dispositivos moldam a leitura e a interpretação; (3) economia política do digital: plataformas, direitos autorais, modelos de monetização e governança de conteúdos; (4) IA e automação editorial: coautoria, curadoria algorítmica, recomendação e seus impactos estéticos e éticos; (5) preservação e arquivo: obsolescência, migração de formatos e memória cultural em ambientes digitais.