É fato que o século XX é tido como o período em que se deu o resgate da reflexão pneumatológica na Igreja. Dito de outro modo: foi no século em questão que a Pessoa e a missão do Espírito foram recuperados na teologia e na pastoral, para além de sua referência tradicional aos sacramentos (dimensão epiclética) e ao magistério (dimensão de governo). Todavia, por se tratar de um processo ainda em curso, verificam-se algumas lacunas e possibilidades de avanço. Ora, se a primeira metade do século XX foi contemplada por apenas dois documentos do Magistério com traços pneumatológicos (Divinum Illud Munus, de Leão XIII; e Mystici Corporis Christi, de Pio XII), sua segunda metade viu um aumento exponencial destes. Dentre os textos do Concílio Vaticano II apenas um não faz menção explícita (terminológica) ao Espírito Santo. Por conseguinte, na esteira da pneumatologia conciliar – que apenas iniciou um novo processo de recepção pneumatológica – Paulo VI conferiu enorme destaque à Pessoa e a ação do Espírito, sobremaneira em dois aspectos: uma pneumatologia da santidade e uma pneumatologia da missão, vinculadas essencialmente e expressas de modo especial em dois de seus documentos magisteriais: Ecclesiam Suam e Evangelii Nuntiandi. João Paulo II igualmente o fez e focalizou uma dupla dimensão pneumatológica: o Espírito como amor-dom de Deus e sua potência para a comunicação do Evangelho a todos os povos. Foi o único papa do pós-Concílio a publicar um documento exclusivo sobre o Espírito: Dominum et Vivificantem. Bento XVI não tratou especificamente do Espírito em seu magistério, mas tinha o princípio pneumatológico por critério formal de sua teologia, mais ainda em sua eclesiologia eucarística de comunhão, lugar, então, de sua pneumatologia, especialmente em Deus Caritas Est e Sacramentum Caritatis. Já Francisco ampliou a pneumatologia de Paulo VI. Sua atenção esteve focalizada numa pneumatologia eminentemente missionária, expressa nos termos da transformação missionária da Igreja (Evangelii Gaudium), do cuidado da criação (Laudato Si´) e da santidade (Gaudete et Exsultate). Por fim, Leão XIV, ainda que no início do seu pontificado, deixa transparecer uma pneumatologia eminentemente cristológica: o ser humano que se deixa plasmar pelo Espírito torna-se mais parecido com a Pessoa de Jesus. Em suma, o magistério pós-conciliar é altamente fecundo em suas formulações pneumatológicas, de ênfases distintas e complementares, marcadamente cristológico-eclesiológicas e direcionadas à reforma eclesial, mas ainda carentes de uma ampla recepção, interpretação e aplicação nos ambientes acadêmicos e pastorais.
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