A segurança do paciente é, atualmente, um dos pilares fundamentais para a excelência e sustentabilidade das organizações de saúde. No entanto, apesar dos avanços tecnológicos e dos protocolos clínicos, ainda enfrentamos desafios significativos relacionados a incidentes evitáveis, erros operacionais e eventos adversos. Uma parte essencial desse cenário é o papel dos gestores que têm influência direta na cultura organizacional e no compromisso com a segurança, tais como coordenadores, gerentes, diretores e outros profissionais que, de alguma forma, liderem equipes.
A experiência de setores mundialmente reconhecidos por suas práticas de segurança, como a aviação, nos mostra que a diferença entre ambientes seguros e inseguros está, em grande medida, na atuação da liderança. Na aviação, líderes são treinados não apenas para seguir protocolos, mas para fomentar uma cultura onde a segurança é compartilhada, analisada e melhorada continuamente. O ambiente aeronáutico tornou-se referência por reconhecer que a segurança não é apenas uma questão técnica, mas um valor organizacional que parte do topo e permeia toda a equipe.
Transpondo este paradigma para a saúde, percebemos que as organizações que mais evoluíram na gestão da segurança foram as que investiram no desenvolvimento dos seus líderes. Isso porque gestores têm a capacidade de promover o engajamento dos times, criar canais abertos para comunicação de incidentes, apoiar processos de melhoria contínua e garantir a adoção efetiva de práticas seguras. No entanto, muitas vezes, os programas de segurança em saúde são direcionados apenas para equipes assistenciais, sem observar a necessidade de capacitar e sensibilizar as lideranças.
Palestrante:
Gustavo Reis Rocha
Comandante de Linha Aérea, especialista em Fatores Humanos e Gestão da Segurança
Facilitador de CRM pela ANAC
Pós-graduação pela PUCRS
Formação internacional na USC e Monash University
Experiência em empresas como VARIG, TAM e Azul Linhas Aéreas.
Investigador de Acidentes Aeronáuticos pelo CENIPA