A curadoria como trabalho com o arquivo
O Seminário Pensar a Imagem chega à sua quarta edição no 16º Cine Esquema Novo. A atividade propõe, desta vez, um debate sobre curadoria como trabalho com arquivos, tomando as obras audiovisuais não como objetos encerrados em sua historicidade, mas como arquivos vivos, atravessados por disputas de memória, gestos de montagem, sobrevivências e reativações no presente.
Mais do que pensar o arquivo estritamente como lugar de conservação, interessa interrogar as operações de seleção, deslocamento, recombinação e leitura que constituem toda prática curatorial. Se todo arquivo implica escolhas, ausências e regimes de visibilidade, a curadoria aparece aqui menos como instância organizadora ou legitimadora e mais como trabalho crítico sobre temporalidades, restos, lacunas, fabulações e reaparições das imagens. O que se propõe é pensar o cinema e as artes visuais como campo em permanente atualização, no qual as obras persistem, retornam, contaminam o presente e seguem produzindo sentidos imprevistos.
Em um contexto marcado pela circulação incessante de imagens e pela disputa permanente em torno das políticas da memória, pensar as imagens como arquivos vivos significa também perguntar o que pode a curadoria diante do excesso, do esquecimento programado e das formas contemporâneas de apagamento. Propomos uma reflexão sobre as possibilidades de ativação crítica das imagens, os modos de reinscrever obras e gestos cinematográficos no presente e as potências políticas, estéticas e afetivas que emergem quando as imagens são tomadas não como patrimônio fixo, mas como matéria viva de montagem, transmissão e imaginação histórica.
O seminário Pensar a imagem propõe, então, quatro eixos para debate, com a presença de convidadas e convidados que farão intervenções curtas com o intuito principal de provocar uma conversa coletiva com o público presente, incluindo as pessoas inscritas, os realizadores e realizadoras com obras em exibição no festival e a equipe de curadoria e produção do evento.
Proposição: Gabriela Almeida
Mediação: Lennon Macedo.
29/06 SEGUNDA-FEIRA
10h
1. Curadoria como trabalho de montagem e de memória
Lorenna Rocha e Elisandro Rodrigues
14h
2. Curadoria e relações de poder
Lennon Macedo e Bernardo de Souza
17h
3. O trabalho da curadoria nas lacunas dos arquivos
Kaya Rodrigues e Nica Maleoa
30/06 TERÇA-FEIRA
10h
4. Relações entre curadoria e cinefilia
Daniela Strack e Manu Couto
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SOBRE OS CURADORES:
Gabriela Almeida é professora permanente e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (PPGCOM ESPM). Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e pesquisadora nas áreas de Estéticas da Comunicação; Estética e Política; Cinema e Audiovisual. Líder do grupo de pesquisa Sense - Comunicação, consumo, imagem e experiência (CNPq/ESPM, @sense_espm). Doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atual coordenadora do GT Comunicação e Experiência Estética da Compós. Integrou a diretoria da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE) na gestão 2019-2021. É curadora e produtora do Seminário Pensar a Imagem, no Cine Esquema Novo, e das atividades de formação da Mostra de Cinemas Africanos, em São Paulo. Autora do livro “O ensaio fílmico ou o cinema à deriva” (2018, Alameda) e co-organizadora de diversas coletâneas de trabalhos sobre relações entre estética e política.
Lennon Macedo é professor e pesquisador. Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC), do Núcleo de Pesquisa Semiótica Crítica e do Grupo de Pesquisa Agenciamentos da Imagem. Participa também do iA* Investigação em Artes, da Universidade da Beira Interior (Portugal) e da Rede de Pesquisa Teoria de Cineastas. É professor e pesquisador de cinema e filosofia na Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Investiga atravessamentos entre Audiovisualidades, Comunicação e Semiótica, com foco em Cinema Contemporâneo, Teoria de Cineastas, Teorias da Comunicação e Pós-Estruturalismo.
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SOBRE OS DEBATEDORES:
Lorenna Rocha é historiadora, crítica e programadora de mostras e festivais de cinema. Mestre em Comunicação (UFPE). Cofundadora da Plataforma INDETERMINAÇÕES, onde desenvolve projetos que unem práticas de pesquisa, publicação, programação, difusão e preservação audiovisual. Editora-chefe da revista câmarescura. Participou de programas de formação em crítica de cinema como Talent Press (Berlim, 2023) e RAW/Arché (Portugal, Trujillo e Madrid, 2024). Fez parte da curadoria de festivais como Janela Internacional de Cinema do Recife e Festival Internacional de Curtas-metragens de Belo Horizonte. Desde 2024, integra a equipe de programação de curtas da Mostra de Cinema de Tiradentes.
Elisandro Rodrigues é Pedagogo e Doutor em Educação. Professor do Departamento de Estudos Básicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRGS. Integrante do Grupo de Pesquisa Carcarás (Unisinos) e do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Cultura - NUPPEC, Eixo 2 - Psicanálise, Educação e Cultura. Ao longo dos últimos anos vem se dedicando a pesquisar sobre a montagem da escrita e da leitura.
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Lennon Macedo é professor e pesquisador. Doutor em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participa do Grupo de Pesquisa em Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC), do Núcleo de Pesquisa Semiótica Crítica e do Grupo de Pesquisa Agenciamentos da Imagem. Participa também do iA* Investigação em Artes, da Universidade da Beira Interior (Portugal) e da Rede de Pesquisa Teoria de Cineastas. É professor e pesquisador de cinema e filosofia na Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Investiga atravessamentos entre Audiovisualidades, Comunicação e Semiótica, com foco em Cinema Contemporâneo, Teoria de Cineastas, Teorias da Comunicação e Pós-Estruturalismo.
Bernardo José de Souza promove exposições, escreve e investiga arte contemporânea. Ex-diretor artístico da Fundação Iberê Camargo (2017/19), em Porto Alegre, atualmente trabalha como curador independente sediado em Madri. Fez parte da equipe curatorial da 19ª Bienal de Arte Contemporânea SESC_Videobrasil | São Paulo 2015, e também da 9ª Bienal do Mercosul | Brasil | 2013. De 2005 a 2013, atuou como Diretor do Departamento de Cinema, Vídeo e Fotografia da Secretaria de Cultura de Porto Alegre. Entre as exposições que destacam em sua trajetória estão Sex in Space, na Isla Flotante (2025); Electric Jungle Fever — Vivian Caccuri (2025), na Galeria Municipal do Porto; The Disagreement: a theatre of statements (2024) e The Devil to pay in the backlands (2022), ambas no NKW / Neuer Kunstverein Wien; Film as Muse (2021), no Salzburger Kunstverein; An Exhibition with works by... (2020), no Kunstinstituut Melly; Havoc and Allure (2019), no Solar dos Abacaxis, Rio de Janeiro; Unanimous Night (2017) no CAC / Contemporary Art Center, em Vilnius; e A Mão Negativa (2015), no Parque Lage, Rio de Janeiro.
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Kaya Rodrigues é multiartista, cineasta, produtora e arte-educadora formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pós-graduada em Pedagogia da Arte pela mesma Universidade. Tem sua atuação no campo do cinema, da música, do teatro e do carnaval. Desenvolve há 13 anos uma pesquisa voltada à cultura popular sendo uma das fundadoras do Coletivo carnavalesco Bloco da Laje. No audiovisual, trabalha também com Roteiro e Direção e assina como diretora o curta-metragem “Vozes do Silêncio” (2022), ao lado de Luís Ferreirah, com roteiro do rapper Zudzilla. Foi fundadora e produtora do coletivo Criadoras Negras-RS e do coletivo Macumba Lab de cineastas negros do RS. Como atriz, protagonizou as séries “Necrópolis” e “Alce & Alice”, que podem ser encontradas nos catálogos da Globoplay e Amazon Prime. Atualmente, Kaya Rodrigues é Curadora Geral do Festival Cinema Negro em Ação, função que desenvolve desde 2023, e está em fase de finalização de seu primeiro longa-metragem, dirigido ao lado de Gabriel Faccini, o documentário “Ialode”, sobre a música negra do Rio Grande do Sul a partir da perspectiva de quatro compositoras.
Nica Maleoa é especializada em produção executiva e direção de produção em audiovisual. Gerenciou mais de 150 projetos audiovisuais abrangendo cinema, cultura, comunicação e tecnologia. Foi coordenadora de produção da Revista Noize (NRC) e Noize Media. Foi presidenta na gestão 2021-2023 da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos (APTC-RS). É membra ativa do Cineclube Academia das Musas e participa, através de edital, do projeto de inserção de cineclubes em eixos fora da região central da cidade de Porto Alegre. A partir disso, pesquisa e exibe curtas metragens brasileiros de mulheres e dissidentes de gênero em grupo de estudantes de escola estadual no projeto “Cineclube na Escola" enquanto professora e produtora. Dirigiu em 2024 seu primeiro curta metragem.
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Daniela Strack é doutoranda e mestre em Comunicação pelo PPGCOM/UFRGS (2022), e graduada em Cinema pela PUCRS (2014). É professora dos cursos de Realização Audiovisual e Produção Audiovisual da Unisinos. Integra o grupo de pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação (GPESC/CNPq), linha "Agenciamentos da Imagem" (GPAGI). Sua dissertação de mestrado sobre a cineasta Helena Ignez recebeu menção honrosa no Prêmio Socine de Teses e Dissertações 2023. Trabalha como assistente de direção cinematográfica desde 2012, participando de diversos longas-metragens brasileiros, como Tinta Bruta (2018), A Colmeia (2019), Raia 4 (2019), 5 Casas (2020), Despedida (2021), A Nuvem Rosa (2021), Bicho Monstro (2024) e Ato Noturno (2025). Foi presidenta da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul (APTC-RS) na gestão 2019-2021. É membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (ACCIRS).
Manu Couto é cinéfila, cineclubista e quase jornalista de verdade. Se interessa por arte, comunicação e nos efeitos inesperados que acontecem quando as duas se misturam. É estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e estagiária na editoria Arte & Agenda do jornal Correio do Povo. Sua atuação no cinema passa pelo Cineclube Vestígio, onde organiza mostras e sessões especiais junto ao coletivo, e também pela Sala Redenção, o cinema universitário da UFRGS, onde atuou na programação e na comunicação de 2022 a 2024. Em 2026, integrou o Júri Jovem da 29º Mostra de Tiradentes, que selecionou o filme vencedor da Mostra Aurora. Também atua na equipe do selo e produtora cultural Outrahora. Gosta de trabalhar nos bastidores, sempre mantendo uma prática guiada por sensibilidade artística, curiosidade constante e uma certa inclinação ao estranho.
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O evento terá tradução em libras.
Haverá emissão de certificado aos participantes.
Inscrições
Curadoria como trabalho de montagem e de memória | com Lorenna Rocha e Elisandro Rodrigues
Seminário
Curadoria e relações de poder | com Lennon Macedo e Bernardo de Souza
Seminário
O trabalho da curadoria nas lacunas dos arquivos | com Kaya Rodrigues e Nica Maleoa
Seminário
Relações entre curadoria e cinefilia | com Daniela Strack e Manu Couto
Seminário
Rua Vinte e Quatro de Outubro, 112
Auxiliadora, Porto Alegre - RS
90510-001
Rua Vinte e Quatro de Outubro, 112
Auxiliadora, Porto Alegre - RS
90510-001
Por favor, descreva abaixo a razão da sua denúncia.
O Cine Esquema Novo é apresentado pelo Ministério da Cultura, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e Petrobras. Realização Lei Rouanet e Política Nacional Aldir Blanc. Patrocínio master Petrobras. Patrocínio Itaú.