I SIMPÓSIO SOBRE HISTÓRIA DA ÁFRICA
ANGOLA NA ROTA DE INVESTIGAÇÃO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA
TERMOS DE REFERÊNCIA
I - INTRODUÇÃO
A ruptura epistemológica surgida nos estudos da História da África com a monumental obra de Cheikh Anta Diop, a partir da conhecida Nations nègres et culture (Nações negras e cultura) de 1954, introduz a possibilidade de uma nova leitura do processo histórico anteriormente apresentado pelos clássicos teóricos eurocentristas com os mitos da “não-historicidade das sociedades africanas”, onde se misturavam conceitos mal definidos sobre a “selvajaria”, “incapacidade congénita do homem negro”, etc., divulgados no século XIX por Hegel, Arthur de Gobineau, Oliveira Martins, só para citar alguns.
Diop figura dentre os primeiros estudiosos africanos com argumentos desconstruindo essas alegações com propostas sobre a necessidade e possibilidade de construir uma consciência histórica clara do africano, de modo a participar no advir da civilização universal (precisamente negado pelos teóricos da historiografia clássica do século XIX e primeira metade do século XX).
No nosso país, o ensino da História de África foi introduzido logo após a Independência no ensino secundário, médio e superior, mas sem uma Licenciatura específica em História. Actualmente, a História da África é ministrada com particular relevo nos Institutos Superiores de Ciências da Educação, nas Escolas Superiores Pedagógicas e na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto — a única que forma Licenciados em História. Todavia, essa oferta formativa não contempla ainda níveis de pós-graduação para a formação de especialistas de investigação em História de África. Urge, pois, a necessidade de criar ciclos de debate sobre as questões da historiografia africana e sobre como Angola poderá contribuir para a promoção de pesquisadores dedicados à História da África.
O século XXI começou há mais de duas décadas e é importante e desafiador para os estudiosos africanos e não africanos, reflectir sobre inúmeros problemas ligados à investigação e ensino de História da África. É ainda necessário e indispensável determinar as principais dificuldades concretas no caminho do estudo do passado, considerando o que a historiografia nacional enfrentou e enfrenta para poder se impor adequadamente na área de investigação sobre o nosso continente. Este e outros assuntos nortearão o presente Simpósio de História da África, sob o tema geral: ANGOLA NA ROTA DE INVESTIGAÇÃO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA.
II – OBJECTIVOS
O DEI de História, com a organização deste evento científico, tenciona promover uma reflexão e um amplo debate sobre as fontes e metodologia da investigação, sobre a relação milenar da África com outras regiões do mundo, sobre as resistências e lutas anticoloniais, e também sobre problemas actuais incluindo o papel da União Africana. Escolhendo um tema vasto e abrangente, ele deve motivar maior participação de professores, de recém-licenciados e de estudantes finalistas do Curso de História e não só. Com efeito, pretende-se alcançar os seguintes objectivos:
• Apresentar e trazer para debate a problemática das fontes e da metodologia da História da África.
• Destacar as relações da África com outros continentes através dos séculos e os impactos causados em África e no resto do mundo.
• Reflectir sobre a Colonização como fenómeno histórico, as lutas pela libertação da África e o pós-independência.
• Reflectir sobre o papel das (novas) Forças Armadas em África na construção e Consolidação do Estado Democrático.
• Promover o protagonismo e participação de estudantes finalistas como base do incentivo à política de diálogo intergeracional nas Ciências dentro da Universidade.
III – PAINÉIS E PRELECTORES
O I Simpósio de História da África do DEI de História da Faculdade de Ciências Sociais sob o tema ANGOLA NA ROTA DE INVESTIGAÇÃO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA, será estruturado em quatro painéis, com vista abordar questões e temas do modo seguinte:
Painel I – A PROBLEMÁTICA DAS FONTES E DA METODOLOGIA DA HISTÓRIA DA ÁFRICA
Painel II – A ÁFRICA E O RESTO DO MUNDO – RELAÇÕES, IMPACTOS, HERANÇAS
Painel III – A LUTA DE LIBERTAÇÃO DA ÁFRICA E SEUS MÚLTIPLOS CONTORNOS
Painel IV – O PAPEL DAS (NOVAS) FORÇAS ARMADAS EM ÁFRICA NA CONSTRUÇÃO E CONSOLIDAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO
IV – PARTICIPANTES
Participarão no Simpósio de História da África do DEI de História com o tema geral ANGOLA NA ROTA DE INVESTIGAÇÃO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA, docentes e estudantes da Universidade Agostinho Neto e de outras instituições do ensino superior.
V – CALENDÁRIO DE ACTIVIDADES
O Simpósio de História da África terá lugar em Luanda, nos dias 25 e 26 de Maio de 2022, no Anfiteatro principal da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto.
Para envio dos resumos das dissertações e demais preocupações relativas a Simpósio de História da África do DEI de História da FCS – UAN, eis o nosso endereço electrónico: simposiodehistoria.fcs.uan.22@gmail.com
VI – COMUNICAÇÕES E PUBLICAÇÃO DOS TEXTOS
As comunicações deverão ser apresentadas sob a forma de resumo até o dia 15 de Abril de 2022 e o texto integral da Comunicação (cuja apresentação não excederá 20 minutos), até o dia 5 de Maio de 2022. Só será permitida a apresentação de comunicações após entrega do texto à Comissão Organizadora, em papel e em formato digital.
As comunicações serão apresentadas em língua portuguesa ou com tradução em língua portuguesa em formato Times New Roman 12 sendo os textos definitivos (após revisão final pelos autores) não superiores a 30.000 caracteres (incluindo espaços e imagens ou quadros de qualquer natureza).
Os principais materiais saídos do presente evento deverão ser publicados no Volume de 2022, da Mulemba – Revista Angolana de Ciências Sociais, órgão da FCS da UAN.
VII – COMISSÃO ORGANIZADORA DO SIMPÓSIO DE HISTÓRIA DA ÁFRICA
A Comissão organizadora tem as seguintes atribuições:
• Coordenação geral do trabalho preparatório do Simpósio;
• Supervisão do Simpósio;
• Assegurar todas as condições materiais e humanas.
Integram a Comissão Organizadora do Simpósio de História da África, as seguintes entidades:
a) Regente do Curso de História (Coordenadora);
b) Chefe do DEI de História da Faculdade de Ciências Sociais (Sub-Coordenador);
c) Chefe de Repartição de Investigação Científica e Pós-graduação do DEI de História (Secretário Executivo);
d) A Comissão Organizadora é coadjuvada por subcomissões e outros órgãos de apoio, designadamente: subcomissão científica; secretariado técnico; e um porta-voz.
VIII – SUBCOMISSÃO CIENTÍFICA
A subcomissão científica tem as seguintes atribuições:
• Reunir e selecionar as comunicações;
• Elaborar e rever o programa do evento e planificar cada sessão;
• Elaborar os anúncios (call for papers);
• Receber os textos das comunicações;
• Aprovar a lista dos prelectores e participantes em geral;
• Seleccionar moderadores e relatores de cada painel e tema;
• Produzir o Relatório científico sobre o Simpósio.
Integram a subcomissão científica os seguintes professores:
a) Dra. Maria da Conceição Neto (Coordenadora);
b) Dr. Tiago Caungo Mutombo (Secretário);
c) António Guebe;
d) Dra. Constança Ceita;
e) Dr. Fidel do Carmo Reis;
f) Dr. Simão Makiadi.
IX - SECRETARIADO TÉCNICO
O Secretariado Técnico tem as seguintes atribuições:
• Assegurar toda actividade do secretariado;
• Garantir a correspondência necessária, a gestão do expediente e do arquivo do Simpósio;
• Reproduzir e distribuir toda a documentação do Simpósio;
• Elaborar as conclusões e o relatório final do Simpósio.
O Secretariado Técnico é constituído por um coordenador e integrado por três (3) docentes (Me Frederico Satumbo, Lic. Arduíno Panzo e Lic. Carlos Fiassa) e três (3) estudantes finalistas do DEI de História (Adilson Bamba, João Baptista Vita, Wilma William).
XI - PORTA-VOZ
O Simpósio terá um Porta-voz oficial, com as seguintes atribuições:
• Divulgar regularmente os comunicados de imprensa;
• Manter informada a comunidade académica da Faculdade e a opinião pública.
Assumirá essas funções a Dra. Constança Ceita.
Luanda, aos 06 de Dezembro de 2021.
A COMISSÃO ORGANIZADORA