Local: Auditório do Ceres
No Brasil, 1% da população concentra 23% da riqueza e 100 milhões vivem com até 1/2 salário mínimo, sobretudo no Nordeste e no Norte. Mas a maior desigualdade se alastra tanto em estados pobres quanto nos mais ricos, evidenciando-se uma questão política, cuja solução advirá da democracia. Propomos investigar essa complexa desigualdade social a partir do estudo das Grandes Regiões (IBGE), suas interações e especificidades, com o objetivo de a população conhecer sua história e, assim, consolidar a democracia. Para tanto, propõe-se o resgate dos documentos históricos para a criação de bancos de dados a serem disponibilizados. A opinião pública se resignou a entender a miséria e a concentração de renda como herança colonial, naturalizando-a como fenômeno imutável. Tais explicações, sem base documental, revelam o desconhecimento do passado e do presente do país, gerando equívocos no combate à desigualdade, reinventando preconceitos. O argumento de que a desigualdade social é responsabilidade do passado escravista foi criado pelas elites sociais beneficiadas por essa realidade produzida, desde os anos de 1930 pelo capitalismo. Em 1970, o país deixou de ser rural. No campo, a propriedade privada solapou formas costumeiras de acesso à terra e expropriou milhões de lavradores. A concentração fundiária permaneceu, porém, difere do período escravista. Em 2017, nos latifúndios as máquinas continuaram a substituir o trabalho assalariado. No campo e na cidade, antigas práticas de disciplinamento e mandonismo local cederam, em tese, espaço a meios modernos de vigilância, como o CPF. Ao mesmo tempo. Apesar disso, nas redes sociais vicejam ideias antirrepublicanas de hierarquização social. Assim como a desigualdade social, esses fenômenos serão pesquisados observando-se as grandes regiões. Os documentos históricos cuja preservação está prevista na Constituição ao serem analisados, terão seus resultados publicizados e, assim, a sociedade se conhecerá, e poderá enfrentar seus problemas. A mesa pretende apresentar o INCT Regiões: desigualdades sociais, contemplado por edital do CNPq como uma contribuição à História Pública.