A região neotropical abriga uma das maiores diversidades de insetos aquáticos do planeta, incluindo inúmeros grupos de importância ecológica presentes nos ecossistemas límnicos brasileiros. Apesar dessa elevada biodiversidade, o conhecimento taxonômico sobre esses organismos ainda é limitado e distribuído de forma desigual entre as regiões do país, principalmente devido à escassez de profissionais capacitados para identificação em níveis taxonômicos mais refinados. Essa limitação compromete o avanço de pesquisas ecológicas, inventários biológicos e programas de biomonitoramento ambiental.
O minicurso “Introdução à Entomologia Aquática Neotropical: Morfologia e Identificação dos Principais Grupos” tem como objetivo introduzir estudantes e profissionais aos fundamentos da taxonomia, morfologia funcional e ecologia dos principais grupos de insetos aquáticos neotropicais. Serão abordados aspectos relacionados às adaptações morfológicas ao ambiente aquático, importância ecológica e aplicação desses organismos como bioindicadores da qualidade da água. Além disso, o curso contemplará noções básicas de sistemática e identificação taxonômica de grupos como Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera, Odonata, Hemiptera e Coleoptera aquáticos.
A proposta inclui atividades teóricas e práticas, envolvendo manipulação de espécimes, observação em microscopia estereoscópica e utilização de chaves dicotômicas para identificação da fauna brasileira. Dessa forma, o minicurso busca contribuir para a formação técnica e científica dos participantes, promovendo uma compreensão integrativa entre morfologia, ecologia e evolução dos insetos aquáticos, além de estimular a capacitação de futuros taxonomistas e pesquisadores na área de entomologia aquática.
A elaboração de mapas profissionais é essencial para comunicar resultados de campo, distribuições de espécies e padrões espaciais da biodiversidade. Contudo, graduandos e pós-graduandos, sobretudo em biologia/ecologia, enfrentam dificuldades com ferramentas SIG devido à falta de bases em cartografia e práticas padronizadas. Este minicurso surge da necessidade de capacitar estudantes e profissionais a produzir mapas de alta qualidade no QGIS, software livre acessível, atendendo padrões editoriais de revistas científicas. Os objetivos principais são: (1) introduzir conceitos fundamentais de cartografia, incluindo representações da Terra (datum, projeções, unidades, Sistema de Referência de Coordenadas), elementos de mapas e tipos de dados espaciais; (2) ensinar passo a passo a criação de mapas no QGIS, desde a importação de shapefiles e rasters até organização das informações no compositor de impressão, com ênfase em boas práticas como simplicidade visual e acessibilidade; (3) aplicar em contextos zoológicos, como mapas de ocorrência de espécies e padrões espaciais, promovendo criatividade na visualização de dados georreferenciados. A relevância do tema reside na sua aplicação direta à zoologia, abrangendo diversidade de grupos e abordagens, instigando inovações tecnológicas com QGIS para análises open-source que aceleram a ciência colaborativa. Voltado a graduandos e pós-graduandos, o minicurso fomenta comunicação científica, priorizando temas práticos e multidisciplinares.
A compreensão dos processos de partilha de recursos e das relações ecológicas entre as espécies é fundamental para explicar a formação e a manutenção das comunidades biológicas. Esta proposta de minicurso oferece uma introdução teórico-prática aos conceitos e métricas de sobreposição de nicho ecológico assim como aos padrões de uso de recursos (estrutura) em comunidades biológicas animais. Ao decorrer de todo minicurso, serão explorados os seguintes questionamentos centrais: as espécies apresentam segregação de nicho ecológico para minimizar a competição ou exibem sobreposição significativa? Quais fatores (evolutivos ou ambientais) moldam esses padrões observados? A metodologia desta proposta combina um panorama teórico (primeiro momento) seguido por atividades práticas (segundo momento) fundamentadas em bibliografia e ferramentas estatísticas direcionadas que serão disponibilizadas aos participantes. Ao final, espera-se que estes estejam aptos a: (1) Compreender as principais métricas e modelos de sobreposição de nicho ecológico; (2) Identificar padrões de partição de recursos em múltiplas dimensões de nicho dentro de comunidades animais; (3) Investigar as forças direcionadoras (filogenéticas e ambientais) dos padrões de estrutura de comunidade observados. Esta formação proporcionará aos participantes um arcabouço teórico-prático para suas futuras pesquisas, aprimorando desde o delineamento amostral e coleta de dados até a interpretação dos resultados em suas investigações.
O minicurso “Biodiversidade animal em manguezais: adaptações, interações e conservação” abordará a diversidade da fauna associada aos manguezais, enfatizando as interações ecológicas, adaptações biológicas e funções ecossistêmicas desempenhadas pelos diferentes grupos animais presentes nesses ambientes. Os manguezais estão entre os ecossistemas costeiros mais produtivos do planeta, atuando na ciclagem de nutrientes, proteção da linha de costa, manutenção da biodiversidade e sustentação de atividades econômicas relacionadas à pesca e ao extrativismo. Apesar de sua relevância ecológica e social, esses ambientes sofrem intensas pressões antrópicas, tornando essencial a ampliação do conhecimento sobre sua biodiversidade e conservação.
O minicurso tem como objetivo apresentar os principais grupos faunísticos associados aos manguezais, incluindo organismos do substrato mole, substrato duro, galhos e folhas, coluna d’água e vertebrados associados ao ambiente. Além disso, serão discutidos aspectos ecológicos como herbivoria, decomposição, filtração, bioturbação, dispersão larval, conectividade costeira e impactos ambientais sobre os manguezais. A proposta também buscará integrar abordagens contemporâneas aplicadas ao estudo desses ecossistemas, incluindo ferramentas digitais de identificação da biodiversidade e metodologias modernas de monitoramento ambiental. Como atividade prática, serão disponibilizados exemplares biológicos e amostras de organismos associados aos manguezais para observação, visualização e identificação pelos participantes, promovendo maior aproximação com a biodiversidade desses ecossistemas e estimulando o aprendizado aplicado.
Espera-se proporcionar uma visão integrada da fauna de manguezais, contribuindo para a formação acadêmica de estudantes e profissionais interessados em zoologia, ecologia, conservação e ambientes costeiros.
O monitoramento da fauna silvestre é uma etapa fundamental para a conservação da biodiversidade e para a compreensão do comportamento animal. No entanto, nem sempre essas observações contam com uma logística de fácil acesso, exigindo muito tempo e esforço e experiência. Diante disso, muitos pesquisadores recorrem a observações ex situ, em ambientes que simulam o habitat natural. Somadas a isso e considerando a influência que o monitoramento pode causar sobre a fauna estudada, as armadilhas fotográficas se consolidam como uma ferramenta eficiente e não invasiva para o registro e a observação de espécies in situ, permitindo uma amostragem contínua e metodologicamente padronizada. Serão abordados os princípios de funcionamento e os critérios de instalação dos equipamentos, com aplicação prática direta e análise das imagens obtidas. Adicionalmente, serão discutidas nuances do uso prático em campo, bem como plataformas de diálogo e da aquisição dos mesmos. Somados à aplicação técnico-metodológica, o conhecimento e a experiência de moradores locais acerca das áreas de uso e dieta dos animais, por exemplo, são essenciais para garantir sucesso no planejamento e na obtenção dos resultados. O uso de armadilhas fotográficas tem ampla aplicabilidade, seja no monitoramento de espécies ameaçadas ou crípticas, e na observação do comportamento e interações. Também possibilita o registro de dados com menor distúrbio aos animais, assim como a possibilidade de uma amostragem simultânea em vários pontos de coleta. Ao término do minicurso, os participantes estarão aptos a planejar e executar estudos preliminares com armadilhas fotográficas, interpretar os dados obtidos e compreender os limites e potencialidades da ferramenta na pesquisa em campo.
O minicurso proposto será voltado à biologia e conservação da Baleia-jubarte, com o objetivo de ampliar o conhecimento científico e crítico dos participantes acerca dessa espécie emblemática da megafauna marinha. Justifica-se a relevância da temática pelo fato de que, apesar de sua notoriedade global, ainda são limitados os conhecimentos difundidos sobre seu histórico de exploração, características fisiológicas e papel ecológico nos ecossistemas marinhos. Além disso, há um desconhecimento significativo quanto à ocorrência da espécie na região da Bacia Sergipe-Alagoas, área que integra sua rota migratória no Atlântico Sul e que apresenta registros importantes, inclusive de indivíduos juvenis e adultos. Nesse contexto, o minicurso abordará, de forma introdutória, conteúdos relacionados à taxonomia, morfologia e adaptações, distribuição geográfica e rotas migratórias no Atlântico Sul, bem como aspectos comportamentais, incluindo alimentação, reprodução e vocalização. Também serão discutidos, de maneira geral, o histórico de exploração e recuperação populacional da espécie, os principais impactos antrópicos como pesca, turismo desordenado, poluição sonora e mudanças climáticas , além das estratégias de conservação, legislação ambiental e iniciativas de pesquisa desenvolvidas no Brasil, com destaque para o Projeto Baleia Jubarte. Como atividade prática, será realizada a análise de mapas migratórios, com o intuito de identificar áreas críticas para a conservação da espécie, promovendo a integração entre teoria e prática e estimulando a formação de uma consciência ambiental fundamentada.
Atualmente, com a popularização de aparelhos telefônicos portáteis equipados com câmeras fotográficas com boa resolução, GPS e conectados à Internet, os registros de espécies de animais selvagens podem ser realizados a qualquer momento através de fotografias automaticamente georreferenciadas e podem ser enviados rapidamente para diferentes redes sociais (Instagram, Facebook, Tumblr, Flickr) ou enviados para sites dedicados exclusivamente para fins de compartilhamento de imagens de espécies selvagens. Neste contexto as fotografias são elementos cruciais na produção de significados. As fotografias são fundamentais para o registro de pesquisas em andamento, levando em consideração suas explicações e confirmação das observações além de facilitar a divulgação dos resultados obtidos para pesquisadores, estudantes, mas também para o público em geral. Imagens podem oferecer oportunidades relevantes para um maior engajamento público com resultados científicos. A fotografia é considerada uma ferramenta de divulgação e visibilidade. A oficina “Fotografando a Vida Selvagem com o Celular: da ação à edição” tem como objetivo aproximar o público da natureza por meio da observação e registro fotográfico de animais em seus ambientes naturais. A atividade estimula o olhar atento, a valorização da biodiversidade local e o uso consciente da tecnologia como ferramenta de educação ambiental. Voltada a iniciantes e curiosos, a oficina mostrará que é possível produzir imagens de qualidade utilizando apenas o celular, promovendo o contato com a fauna e o respeito aos ecossistemas.
Jogos de interpretação e jogos narrativos (como os jogos de RPG de mesa e os Larps) são atividades extremamente envolventes e que possuem um grande potencial quando usados em contextos educacionais. Porém, são pouco conhecidos pelo público geral (quando comparados com jogos de tabuleiro e jogos digitais, por exemplo), e com frequência mal compreendidos pelas pessoas que nunca tiveram a chance de conhecê-los. Nesta oficina vamos apresentar o que são e como funcionam os jogos de interpretação de papéis (RPG de mesa), e demonstrar seu potencial para uso dentro do contexto de ensino e aprendizagem. Como objetivo central, queremos que os participantes desta oficina vivenciem os jogos e finalizem a atividade com noções práticas de como eles podem ser aplicados.
Iremos compartilhar e debater experiências prévias que os participantes possam ter tido com estes jogos, e apresentá-los de forma clara para os que nunca tiveram a chance de conhecê-los. Os participantes terão a chance de conhecer um acervo de jogos levados pelos participantes, para então debater como temas de interesse relacionados ao ensino de Zoologia podem ser inseridos e trabalhados em diferentes contextos de ensino com estes jogos (sala de aula, projetos, clubes, etc). Como etapa principal da oficina, iremos dividir os participantes em grupos, para então termos uma pequena sessão de jogo com exemplos construídos para pensarmos em conceitos de Zoologia que podem ser vivenciados e trabalhados neste tipo de atividade. Finalmente, as diferentes experiências de jogo de cada grupo serão compartilhadas e debatidas por todos os participantes.
As invasões biológicas são reconhecidas como uma das principais ameaças à biodiversidade em escala global, sendo atualmente consideradas a segunda maior causa de perda da biodiversidade, atrás apenas da perda de habitat. Em ecossistemas aquáticos, espécies exóticas podem alterar significativamente a estrutura e o funcionamento das comunidades biológicas, comprometendo processos ecológicos, reduzindo populações nativas e ocasionando impactos ambientais, econômicos e sociais. Em Pernambuco, a ocorrência de espécies invasoras em ambientes dulcícolas e marinhos reforça a necessidade de ampliar o debate científico e a formação técnica voltada ao monitoramento, manejo e controle desses organismos. O minicurso tem como objetivo capacitar os participantes a compreender os processos ecológicos envolvidos nas invasões biológicas aquáticas, discutir os impactos causados por espécies invasoras sobre a fauna nativa e apresentar metodologias de monitoramento e estratégias de controle aplicadas a diferentes contextos ambientais. Serão abordados conceitos relacionados à introdução, estabelecimento e dispersão de espécies invasoras, utilizando como estudos de caso os moluscos Limnoperna fortunei (mexilhão-dourado) e Melanoides tuberculata (caramujo trombeta), associados ao Rio São Francisco, além do peixe-leão Pterois volitans e do coral-sol (Tubastraea spp.), encontrados no litoral pernambucano. O minicurso discutirá impactos econômicos e ambientais associados às espécies abordadas, incluindo prejuízos à pesca, danos a estruturas hidráulicas, bioincrustação, alterações na dinâmica ecológica de recifes e redução da biodiversidade aquática. A proposta será desenvolvida em formato teórico e prático, incluindo simulações de monitoramento ambiental e análise de cenários ecológicos, estimulando o pensamento crítico e a tomada de decisão frente a situações relacionadas ao manejo de espécies invasoras. Dessa forma, o minicurso apresenta relevância para a Zoologia e áreas afins ao integrar diferentes grupos zoológicos e incentivar discussões sobre conservação da biodiversidade local e monitoramento ambiental em ecossistemas aquáticos.
A região neotropical abriga uma das maiores diversidades de insetos aquáticos do planeta, incluindo inúmeros grupos de importância ecológica presentes nos ecossistemas límnicos brasileiros. Apesar dessa elevada biodiversidade, o conhecimento taxonômico sobre esses organismos ainda é limitado e distribuído de forma desigual entre as regiões do país, principalmente devido à escassez de profissionais capacitados para identificação em níveis taxonômicos mais refinados. Essa limitação compromete o avanço de pesquisas ecológicas, inventários biológicos e programas de biomonitoramento ambiental.
O minicurso “Introdução à Entomologia Aquática Neotropical: Morfologia e Identificação dos Principais Grupos” tem como objetivo introduzir estudantes e profissionais aos fundamentos da taxonomia, morfologia funcional e ecologia dos principais grupos de insetos aquáticos neotropicais. Serão abordados aspectos relacionados às adaptações morfológicas ao ambiente aquático, importância ecológica e aplicação desses organismos como bioindicadores da qualidade da água. Além disso, o curso contemplará noções básicas de sistemática e identificação taxonômica de grupos como Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera, Odonata, Hemiptera e Coleoptera aquáticos.
A proposta inclui atividades teóricas e práticas, envolvendo manipulação de espécimes, observação em microscopia estereoscópica e utilização de chaves dicotômicas para identificação da fauna brasileira. Dessa forma, o minicurso busca contribuir para a formação técnica e científica dos participantes, promovendo uma compreensão integrativa entre morfologia, ecologia e evolução dos insetos aquáticos, além de estimular a capacitação de futuros taxonomistas e pesquisadores na área de entomologia aquática.
As invasões biológicas são reconhecidas como uma das principais ameaças à biodiversidade em escala global, sendo atualmente consideradas a segunda maior causa de perda da biodiversidade, atrás apenas da perda de habitat. Em ecossistemas aquáticos, espécies exóticas podem alterar significativamente a estrutura e o funcionamento das comunidades biológicas, comprometendo processos ecológicos, reduzindo populações nativas e ocasionando impactos ambientais, econômicos e sociais. Em Pernambuco, a ocorrência de espécies invasoras em ambientes dulcícolas e marinhos reforça a necessidade de ampliar o debate científico e a formação técnica voltada ao monitoramento, manejo e controle desses organismos. O minicurso tem como objetivo capacitar os participantes a compreender os processos ecológicos envolvidos nas invasões biológicas aquáticas, discutir os impactos causados por espécies invasoras sobre a fauna nativa e apresentar metodologias de monitoramento e estratégias de controle aplicadas a diferentes contextos ambientais. Serão abordados conceitos relacionados à introdução, estabelecimento e dispersão de espécies invasoras, utilizando como estudos de caso os moluscos Limnoperna fortunei (mexilhão-dourado) e Melanoides tuberculata (caramujo trombeta), associados ao Rio São Francisco, além do peixe-leão Pterois volitans e do coral-sol (Tubastraea spp.), encontrados no litoral pernambucano. O minicurso discutirá impactos econômicos e ambientais associados às espécies abordadas, incluindo prejuízos à pesca, danos a estruturas hidráulicas, bioincrustação, alterações na dinâmica ecológica de recifes e redução da biodiversidade aquática. A proposta será desenvolvida em formato teórico e prático, incluindo simulações de monitoramento ambiental e análise de cenários ecológicos, estimulando o pensamento crítico e a tomada de decisão frente a situações relacionadas ao manejo de espécies invasoras. Dessa forma, o minicurso apresenta relevância para a Zoologia e áreas afins ao integrar diferentes grupos zoológicos e incentivar discussões sobre conservação da biodiversidade local e monitoramento ambiental em ecossistemas aquáticos.
A elaboração de mapas profissionais é essencial para comunicar resultados de campo, distribuições de espécies e padrões espaciais da biodiversidade. Contudo, graduandos e pós-graduandos, sobretudo em biologia/ecologia, enfrentam dificuldades com ferramentas SIG devido à falta de bases em cartografia e práticas padronizadas. Este minicurso surge da necessidade de capacitar estudantes e profissionais a produzir mapas de alta qualidade no QGIS, software livre acessível, atendendo padrões editoriais de revistas científicas. Os objetivos principais são: (1) introduzir conceitos fundamentais de cartografia, incluindo representações da Terra (datum, projeções, unidades, Sistema de Referência de Coordenadas), elementos de mapas e tipos de dados espaciais; (2) ensinar passo a passo a criação de mapas no QGIS, desde a importação de shapefiles e rasters até organização das informações no compositor de impressão, com ênfase em boas práticas como simplicidade visual e acessibilidade; (3) aplicar em contextos zoológicos, como mapas de ocorrência de espécies e padrões espaciais, promovendo criatividade na visualização de dados georreferenciados. A relevância do tema reside na sua aplicação direta à zoologia, abrangendo diversidade de grupos e abordagens, instigando inovações tecnológicas com QGIS para análises open-source que aceleram a ciência colaborativa. Voltado a graduandos e pós-graduandos, o minicurso fomenta comunicação científica, priorizando temas práticos e multidisciplinares.
A compreensão dos processos de partilha de recursos e das relações ecológicas entre as espécies é fundamental para explicar a formação e a manutenção das comunidades biológicas. Esta proposta de minicurso oferece uma introdução teórico-prática aos conceitos e métricas de sobreposição de nicho ecológico assim como aos padrões de uso de recursos (estrutura) em comunidades biológicas animais. Ao decorrer de todo minicurso, serão explorados os seguintes questionamentos centrais: as espécies apresentam segregação de nicho ecológico para minimizar a competição ou exibem sobreposição significativa? Quais fatores (evolutivos ou ambientais) moldam esses padrões observados? A metodologia desta proposta combina um panorama teórico (primeiro momento) seguido por atividades práticas (segundo momento) fundamentadas em bibliografia e ferramentas estatísticas direcionadas que serão disponibilizadas aos participantes. Ao final, espera-se que estes estejam aptos a: (1) Compreender as principais métricas e modelos de sobreposição de nicho ecológico; (2) Identificar padrões de partição de recursos em múltiplas dimensões de nicho dentro de comunidades animais; (3) Investigar as forças direcionadoras (filogenéticas e ambientais) dos padrões de estrutura de comunidade observados. Esta formação proporcionará aos participantes um arcabouço teórico-prático para suas futuras pesquisas, aprimorando desde o delineamento amostral e coleta de dados até a interpretação dos resultados em suas investigações.
O minicurso “Biodiversidade animal em manguezais: adaptações, interações e conservação” abordará a diversidade da fauna associada aos manguezais, enfatizando as interações ecológicas, adaptações biológicas e funções ecossistêmicas desempenhadas pelos diferentes grupos animais presentes nesses ambientes. Os manguezais estão entre os ecossistemas costeiros mais produtivos do planeta, atuando na ciclagem de nutrientes, proteção da linha de costa, manutenção da biodiversidade e sustentação de atividades econômicas relacionadas à pesca e ao extrativismo. Apesar de sua relevância ecológica e social, esses ambientes sofrem intensas pressões antrópicas, tornando essencial a ampliação do conhecimento sobre sua biodiversidade e conservação.
O minicurso tem como objetivo apresentar os principais grupos faunísticos associados aos manguezais, incluindo organismos do substrato mole, substrato duro, galhos e folhas, coluna d’água e vertebrados associados ao ambiente. Além disso, serão discutidos aspectos ecológicos como herbivoria, decomposição, filtração, bioturbação, dispersão larval, conectividade costeira e impactos ambientais sobre os manguezais. A proposta também buscará integrar abordagens contemporâneas aplicadas ao estudo desses ecossistemas, incluindo ferramentas digitais de identificação da biodiversidade e metodologias modernas de monitoramento ambiental. Como atividade prática, serão disponibilizados exemplares biológicos e amostras de organismos associados aos manguezais para observação, visualização e identificação pelos participantes, promovendo maior aproximação com a biodiversidade desses ecossistemas e estimulando o aprendizado aplicado.
Espera-se proporcionar uma visão integrada da fauna de manguezais, contribuindo para a formação acadêmica de estudantes e profissionais interessados em zoologia, ecologia, conservação e ambientes costeiros.
O monitoramento da fauna silvestre é uma etapa fundamental para a conservação da biodiversidade e para a compreensão do comportamento animal. No entanto, nem sempre essas observações contam com uma logística de fácil acesso, exigindo muito tempo e esforço e experiência. Diante disso, muitos pesquisadores recorrem a observações ex situ, em ambientes que simulam o habitat natural. Somadas a isso e considerando a influência que o monitoramento pode causar sobre a fauna estudada, as armadilhas fotográficas se consolidam como uma ferramenta eficiente e não invasiva para o registro e a observação de espécies in situ, permitindo uma amostragem contínua e metodologicamente padronizada. Serão abordados os princípios de funcionamento e os critérios de instalação dos equipamentos, com aplicação prática direta e análise das imagens obtidas. Adicionalmente, serão discutidas nuances do uso prático em campo, bem como plataformas de diálogo e da aquisição dos mesmos. Somados à aplicação técnico-metodológica, o conhecimento e a experiência de moradores locais acerca das áreas de uso e dieta dos animais, por exemplo, são essenciais para garantir sucesso no planejamento e na obtenção dos resultados. O uso de armadilhas fotográficas tem ampla aplicabilidade, seja no monitoramento de espécies ameaçadas ou crípticas, e na observação do comportamento e interações. Também possibilita o registro de dados com menor distúrbio aos animais, assim como a possibilidade de uma amostragem simultânea em vários pontos de coleta. Ao término do minicurso, os participantes estarão aptos a planejar e executar estudos preliminares com armadilhas fotográficas, interpretar os dados obtidos e compreender os limites e potencialidades da ferramenta na pesquisa em campo.
O minicurso proposto será voltado à biologia e conservação da Baleia-jubarte, com o objetivo de ampliar o conhecimento científico e crítico dos participantes acerca dessa espécie emblemática da megafauna marinha. Justifica-se a relevância da temática pelo fato de que, apesar de sua notoriedade global, ainda são limitados os conhecimentos difundidos sobre seu histórico de exploração, características fisiológicas e papel ecológico nos ecossistemas marinhos. Além disso, há um desconhecimento significativo quanto à ocorrência da espécie na região da Bacia Sergipe-Alagoas, área que integra sua rota migratória no Atlântico Sul e que apresenta registros importantes, inclusive de indivíduos juvenis e adultos. Nesse contexto, o minicurso abordará, de forma introdutória, conteúdos relacionados à taxonomia, morfologia e adaptações, distribuição geográfica e rotas migratórias no Atlântico Sul, bem como aspectos comportamentais, incluindo alimentação, reprodução e vocalização. Também serão discutidos, de maneira geral, o histórico de exploração e recuperação populacional da espécie, os principais impactos antrópicos como pesca, turismo desordenado, poluição sonora e mudanças climáticas , além das estratégias de conservação, legislação ambiental e iniciativas de pesquisa desenvolvidas no Brasil, com destaque para o Projeto Baleia Jubarte. Como atividade prática, será realizada a análise de mapas migratórios, com o intuito de identificar áreas críticas para a conservação da espécie, promovendo a integração entre teoria e prática e estimulando a formação de uma consciência ambiental fundamentada.
Atualmente, com a popularização de aparelhos telefônicos portáteis equipados com câmeras fotográficas com boa resolução, GPS e conectados à Internet, os registros de espécies de animais selvagens podem ser realizados a qualquer momento através de fotografias automaticamente georreferenciadas e podem ser enviados rapidamente para diferentes redes sociais (Instagram, Facebook, Tumblr, Flickr) ou enviados para sites dedicados exclusivamente para fins de compartilhamento de imagens de espécies selvagens. Neste contexto as fotografias são elementos cruciais na produção de significados. As fotografias são fundamentais para o registro de pesquisas em andamento, levando em consideração suas explicações e confirmação das observações além de facilitar a divulgação dos resultados obtidos para pesquisadores, estudantes, mas também para o público em geral. Imagens podem oferecer oportunidades relevantes para um maior engajamento público com resultados científicos. A fotografia é considerada uma ferramenta de divulgação e visibilidade. A oficina “Fotografando a Vida Selvagem com o Celular: da ação à edição” tem como objetivo aproximar o público da natureza por meio da observação e registro fotográfico de animais em seus ambientes naturais. A atividade estimula o olhar atento, a valorização da biodiversidade local e o uso consciente da tecnologia como ferramenta de educação ambiental. Voltada a iniciantes e curiosos, a oficina mostrará que é possível produzir imagens de qualidade utilizando apenas o celular, promovendo o contato com a fauna e o respeito aos ecossistemas.
Jogos de interpretação e jogos narrativos (como os jogos de RPG de mesa e os Larps) são atividades extremamente envolventes e que possuem um grande potencial quando usados em contextos educacionais. Porém, são pouco conhecidos pelo público geral (quando comparados com jogos de tabuleiro e jogos digitais, por exemplo), e com frequência mal compreendidos pelas pessoas que nunca tiveram a chance de conhecê-los. Nesta oficina vamos apresentar o que são e como funcionam os jogos de interpretação de papéis (RPG de mesa), e demonstrar seu potencial para uso dentro do contexto de ensino e aprendizagem. Como objetivo central, queremos que os participantes desta oficina vivenciem os jogos e finalizem a atividade com noções práticas de como eles podem ser aplicados.
Iremos compartilhar e debater experiências prévias que os participantes possam ter tido com estes jogos, e apresentá-los de forma clara para os que nunca tiveram a chance de conhecê-los. Os participantes terão a chance de conhecer um acervo de jogos levados pelos participantes, para então debater como temas de interesse relacionados ao ensino de Zoologia podem ser inseridos e trabalhados em diferentes contextos de ensino com estes jogos (sala de aula, projetos, clubes, etc). Como etapa principal da oficina, iremos dividir os participantes em grupos, para então termos uma pequena sessão de jogo com exemplos construídos para pensarmos em conceitos de Zoologia que podem ser vivenciados e trabalhados neste tipo de atividade. Finalmente, as diferentes experiências de jogo de cada grupo serão compartilhadas e debatidas por todos os participantes.
As serpentes constituem um grupo diverso e amplamente distribuído, ocupando diferentes habitats como terrestres, aquáticos e arbóreos. No Brasil, são registradas cerca de 435 espécies, das quais aproximadamente 15% são peçonhentas, distribuídas em diferentes famílias. Apesar de sua relevância ecológica, esses animais ainda despertam sentimentos ambíguos, variando entre fascínio e medo, sendo frequentemente associados a preconceitos e perseguição, o que contribui para a pressão antrópica e o declínio de suas populações. Ecologicamente, desempenham papel fundamental nos ecossistemas, atuando como predadoras e presas, contribuindo para o equilíbrio da teia alimentar, além de atuarem como bioindicadoras da qualidade ambiental e, em alguns casos, como espécies guarda-chuva. Adicionalmente, apresentam grande importância biomédica, uma vez que propriedades de toxinas de espécies peçonhentas têm sido utilizadas no desenvolvimento de fármacos para o tratamento de diversas doenças humanas e na produção de soro antiofídico. Apesar disso, o conhecimento sobre a história natural, ecologia e estado de conservação de muitas espécies ainda é limitado, evidenciando a necessidade de estudos que utilizem técnicas de amostragem e monitoramento, como marcação e recaptura, para subsidiar estratégias de conservação. Nesse contexto, o minicurso propõe apresentar a diversidade, ecologia e história natural das serpentes brasileiras, bem como introduzir métodos de estudo aplicados a populações e comunidades, ao mesmo tempo em que busca desmistificar percepções negativas e evidenciar a importância desses animais para a manutenção dos ecossistemas. Como atividade prática, serão utilizados exemplares preservados em meio líquido provenientes da coleção herpetológica da UFPB, permitindo a observação de características morfológicas e a aproximação dos participantes com o material biológico. Dessa forma, a proposta se alinha à temática do evento ao integrar conhecimento científico, educação ambiental e conservação da biodiversidade.
O tamanho corporal é uma característica variável nos organismos e estar ligada a diversos aspectos biológicos, ecológicos e comportamentais. diferentes regras biogeográficas têm sido propostas para explicar essa variação com base em padrões observados ao longo de gradientes ambientais. Entre as principais, a regra de Bergmann prevê uma relação positiva entre o aumento da latitude e o tamanho corporal; a regra de Allen relaciona a variação no tamanho de apêndices às condições térmicas; e a regra de Rensch descreve padrões de dimorfismo sexual de tamanho entre machos e fêmeas.
Essas regras macroecológicas, são utilizadas para explicar padrões de variação morfométrica em função de fatores, como temperatura e pressões evolutivas. Sua elaboração foi bem estabelecida em vertebrados endotérmicos, mas, a aplicação em organismos ectotérmicos, como os crustáceos decapoda, apresenta lacunas e resultados controversos. Nesse contexto, este minicurso tem como objetivo discutir os fundamentos teóricos dessas regras e explorar sua aplicabilidade em crustáceos, analisando padrões de tamanho corporal, dimorfismo sexual e variação de apêndices.
Serão apresentados estudos de caso envolvendo espécies de interesse ecológico e econômico, com abordagens metodológicas como análises morfométricas, regressões alométricas e integração com variáveis ambientais. Também serão discutidas possíveis influências de fatores correlatos a latitude na modulação desses padrões.
O tema é relevante pois auxilia a compreensão como organismos aquáticos respondem a gradientes latitudinais. Além disso, o minicurso contribui para a formação de estudantes e pesquisadores ao oferecer ferramentas conceituais e analíticas para investigar padrões macroecológicos em invertebrados. Espera-se estimular o pensamento crítico sobre a generalidade dessas regras e incentivar novas abordagens em estudos comparativos com diferentes animais.
A análise de dados é uma etapa fundamental em estudos nas áreas de Zoologia, Ecologia e demais ciências biológicas, sendo indispensável para a interpretação de padrões ecológicos, distribuição de espécies, biodiversidade e dinâmica populacional. Nesse contexto, o uso de ferramentas computacionais para organização, análise e visualização de dados tornou-se cada vez mais necessário na formação acadêmica e científica de estudantes e pesquisadores. Entre essas ferramentas, o software R destaca-se por ser gratuito, amplamente utilizado na comunidade científica e altamente eficiente para análises estatísticas e produção de gráficos. Entretanto, muitos estudantes ainda apresentam dificuldades no primeiro contato com estatística aplicada e programação, especialmente quando relacionadas a dados biológicos e ecológicos.
Nesse contexto, o minicurso “Introdução à Estatística no software R” tem como objetivo fornecer uma introdução prática aos conceitos básicos de estatística utilizando o ambiente de programação R, com enfoque em aplicações voltadas para dados biológicos e ecológicos. Durante o minicurso, os participantes aprenderão a manipular bancos de dados, realizar análises estatísticas básicas, construir gráficos e interpretar resultados de forma aplicada. Também serão apresentados os fundamentos iniciais da programação em R, incluindo estruturas de dados, operações básicas e funções essenciais para análises científicas.
Destinado a iniciantes, o minicurso não requer conhecimento prévio em estatística ou programação. A proposta busca contribuir para a formação de estudantes e pesquisadores da área de Zoologia, oferecendo ferramentas fundamentais para análises de dados em pesquisas científicas e incentivando a autonomia no tratamento e interpretação de informações ecológicas e biológicas.
A realidade das mudanças climáticas (MC) é indiscutível e representa um conjunto de ameaças significativas sobre a biodiversidade e os biomas em todo o planeta. Soluções naturais para a mitigação e adaptação ao novo cenário global podem ser implementadas utilizando-se medidas AbE (“Adaptação baseada em Ecossistemas”) que representa uma metodologia amplamente discutida nos fóruns das Convenções das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, Mudanças do Clima e de Combate à Desertificação nas duas últimas décadas. Os ambientes costeiros tropicais como os do Nordeste brasileiro são bastante vulneráveis frente ao endurecimento climático, pelo que é urgente contar com recursos humanos capacitados para atuar junto aos ecossistemas costeiro-marinhos e territórios dos povos tradicionais dependentes destes. O objetivo principal da presente proposta é sensibilizar os participantes quanto aos princípios básicos dessa metodologia e o papel dos serviços ecossistêmicos na sociedade, em particular no contexto da adaptação à MC com ênfase em ambientes tropicais. A atividade consistirá numa oficina de quatro horas subdividida em dois momentos (dia 1: teórico-prático; dia 2: prático) versando nos seguintes conteúdos:(i) Vulnerabilidade Climática Costeira, (ii) Adaptação em Ecossistemas Costeiros (manguezais e recifes de coral) e (iii) Fundamentos e aplicação de medidas AbE. Após a apresentação inicial de um caso de vulnerabilidade no ecossistema de interesse, os ministrantes organizarão grupos de trabalho para identificar a problemática e, com a base teórica fornecida, discutir impactos e propor soluções AbE. Espera-se que os interessados aprofundem o domínio da metodologia vivenciada na oficina e desenvolvam iniciativas para sua replicação em estratégias de mitigação climática no contexto regional, integrando o conhecimento às realidades das comunidades tradicionais.
O rastreamento de animais silvestres por telemetria tem revolucionado os estudos de ecologia do movimento, uso do habitat, comportamento e conservação de espécies crípticas ou de difícil observação direta. No entanto, o acesso a esse método ainda é limitado para muitos pesquisadores em formação devido ao alto custo dos equipamentos, à complexidade técnica e à escassez de capacitações práticas. Este minicurso tem como objetivo apresentar os fundamentos da telemetria aplicada à fauna, abordando os diferentes tipos de transmissores disponíveis (VHF, GPS, satelital), seus princípios de funcionamento, vantagens e limitações, bem como os critérios de escolha de acordo com o grupo zoológico e a pergunta de pesquisa. Serão discutidas técnicas de fixação dos transmissores em diferentes espécies, considerações éticas e logísticas de campo. A parte prática consistirá em uma simulação de rastreamento com transmissores VHF escondidos em um campus universitário, onde os participantes utilizarão antenas e receptores para localizar os sinais, vivenciando de forma lúdica e didática os desafios do monitoramento telemétrico em campo. Ao final, os participantes estarão aptos a planejar estudos com telemetria, escolher o equipamento mais adequado para seu objeto de estudo e executar um rastreamento básico com transmissores VHF, compreendendo o potencial e os limites dessa tecnologia para a conservação da fauna.
Dado, informação, universo, amostra (independente e pareada), replicação e tipos de amostragem (apenas aleatória e por conveniência). Medidas de tendencia central e dispersão. Método hipotético dedutivo e inferência estatística (variáveis, nível de significância, pvalor, gl). Pressupostos dos testes (normalidade, homocedasticidade), testes (correlações e regressões simples, teste t e mann whitney, teste t pareado e wilcoxon, anova, kruskal wallis e permanova com dist euclidiana, anova de medidas repetidas), como organizar os dados e pedir pra IA escrever script no R, sigmaplot e ggplot2.
A linguagem de programação R é uma linguagem e software de código aberto, acessível de forma gratuita e amplamente utilizada como ferramenta para análise e visualização de dados. Sua adoção pela comunidade acadêmica global, especialmente em todos os campos da Biologia, fez com que seu domínio se tornasse uma habilidade básica esperada por pesquisadores, para que estes possam utilizar métodos de análise (simples ou mais complexos) de forma transparente, reproduzível e com acesso a novas abordagens e metodologias. Porém, sua natureza de linguagem e seu uso restrito à linhas de comando podem tornar sua aprendizagem bastante desafiadora, especialmente sem o acompanhamento adequado.
Dentro do campo da Zoologia, o R oferece diversas ferramentas voltadas para análise de dados de levantamento de fauna. Dentro do ambiente R podemos trabalhar desde métodos descritivos (como índices de diversidade e diagramas de rank-abundância, por exemplo) até os métodos mais avançados para estimativas de riqueza de espécies (como as abordagens que permitem a extrapolação da curva do coletor para prever quantas novas espécies podem ser coletadas ao aumentarmos o esforço amostral).
Neste mini curso, vamos apresentar o uso do R de forma clara, acessível e amigável, mesmo para pessoas sem experiência prévia com a linguagem. Além de cobrir os fundamentos básicos, iremos compartilhar materiais e indicar caminhos que permitem avançar no domínio desta ferramenta. Por fim, iremos aprender o uso do R trabalhando com exemplos práticos de dados de levantamento de fauna, e usaremos análises e pacotes voltados para análise de diversidade biológica, cobrindo índices de diversidade, gráficos relevantes e estimativas de riqueza de espécies.
O plástico é um material sintético amplamente utilizado, derivado principalmente de fontes não renováveis, cuja persistência ambiental favorece sua fragmentação em partículas de menores dimensões ao longo do tempo. Essas partículas, com tamanho entre 1 micrômetro e 5 milímetros, são denominadas microplásticos, podendo ser classificados como primários, quando produzidos intencionalmente nesse tamanho, ou secundários, quando resultantes da degradação de plásticos maiores. Considerados contaminantes emergentes, os microplásticos têm sido registrados em diferentes compartimentos ambientais, incluindo água, sedimentos e biota, evidenciando sua ampla distribuição e potencial de bioacumulação em organismos aquáticos.
Sob a perspectiva zoológica, sua relevância está associada à interação direta com a fauna aquática, uma vez que essas partículas podem ser ingeridas por diferentes grupos, interferindo em processos fisiológicos e ecológicos. Nesse contexto, a escolha de camarões da espécie Litopenaeus vannamei justifica-se por seu hábito bentônico, que favorece o contato com sedimentos contaminados, além de sua importância econômica e ampla inserção na dieta humana. As esponjas do gênero Tethya, por sua vez, destacam-se como organismos filtradores capazes de processar grandes volumes de água, atuando como potenciais bioindicadores da presença de microplásticos no ambiente.
Apesar do avanço das pesquisas, ainda persistem lacunas relacionadas à padronização de metodologias e à detecção eficiente dessas partículas em matrizes biológicas, limitando comparações entre estudos. Além disso, os efeitos sobre os organismos, como alterações fisiológicas e inflamações, ainda demandam investigação aprofundada.
Diante disso, o presente minicurso tem como objetivo capacitar os participantes nos principais métodos de detecção de microplásticos em organismos aquáticos, integrando teoria e prática. A proposta contribui para a formação técnico-científica na área de Zoologia, promovendo a compreensão das interações entre contaminantes emergentes e a biota, além de fortalecer discussões sobre conservação e qualidade ambiental no contexto regional do Nordeste brasileiro.
Simbioses, da junção grega de syn e bios, significando “vida em conjunto” ou “vida conjunta”. Inicialmente definida como a vida conjunta de organismos distintos, sua definição perpassou uma série de debates e apropriações, envolvendo ressignificações como um sinônimo de mutualismo. Em 2001, a partir de Wilkinson, ela seria definida como: “a close physical association between two organisms, usually from different specie”. Este processo, aparentemente banal, foi responsável por moldar a biota terrestre, desde os microrganismos até relações reconhecíveis na atualidade, tendo papel fundamental na evolução dos organismos ao longo do tempo. Majoritariamente estudada na perspectiva de microrganismos e organismos recentes, a recente inclusão de fósseis neste debate permite o entendimento histórico dessas relações, por meio de sua percepção no registro fossilífero. Neste minicurso, iremos aprender a teoria e história por trás da simbiose, seu impacto em organismos vivos e, sobretudo, como reconhecer evidências que permitem sua inferência no registro fossilífero. Adicionalmente, iremos debater os impactos da simbiose para o desenvolvimento, evolução e história da Vida na Terra e a noção de evolução em conjunto, onde o aparecimento de novos clados, sobretudo simbiontes, geram modificações bióticas nos ecossistemas, impulsionando o desenvolvimento de novas grupos de organismos adaptados à existência destes novos organismos. De maneira resumida e parafraseando Lynn Margulis e, seu filho, Dorion Sagan: “A vida não tomou conta do mundo por combate, mas por interligar-se.”
A diversidade da forma corporal dos organismos sempre despertou interesse na Zoologia, motivando o desenvolvimento de abordagens qualitativas e quantitativas para sua compreensão. A forma biológica resulta de múltiplas forças evolutivas, especialmente seleção natural e sexual, constituindo uma fonte central de informação sobre processos ecológicos, evolutivos e funcionais. Nesse contexto, a Morfometria Geométrica emerge como uma abordagem inovadora e interativa para quantificar e analisar a variação da forma corporal, permitindo interpretações mais robustas e integradas. Além disso, ao dialogar com conhecimentos tradicionais — como percepções locais sobre variações morfológicas, reconhecimento de espécies e adaptações ambientais —, essa ferramenta amplia sua relevância ao integrar diferentes formas de conhecimento na investigação zoológica. O mini-curso tem como objetivos: (i) apresentar os conceitos fundamentais de Bauplan, tamanho e forma corporal, bem como a variação morfológica em organismos; (ii) introduzir os princípios básicos da Morfometria Geométrica como ferramenta de análise quantitativa da forma; e (iii) demonstrar aplicações práticas dessas técnicas em estudos com organismos invertebrados e vertebrados, incluindo exemplos que dialoguem com classificações e observações oriundas de conhecimentos tradicionais. A relevância do tema reside na capacidade da Morfometria Geométrica de contribuir para diversas áreas da Zoologia, como taxonomia, ecologia, evolução e conservação. A análise da forma corporal permite identificar variações populacionais, padrões de dimorfismo sexual e auxiliar no reconhecimento taxonômico, além de possibilitar reconstruções morfológicas em contextos evolutivos. Ao integrar saberes tradicionais — frequentemente baseados em observações empíricas detalhadas da natureza — com ferramentas analíticas modernas, o mini-curso promove uma abordagem mais inclusiva e interdisciplinar, alinhada ao tema do evento. Dessa forma, busca-se não apenas capacitar os participantes tecnicamente, mas também estimular perspectivas integradoras na produção do conhecimento zoológico.
Essa oficina propõe a integração entre conhecimentos científicos da Zoologia e saberes tradicionais associados aos ecossistemas costeiros. A atividade tem como foco a montagem em grupo de dois modelos didáticos: um ouriço-do-mar e um molusco bivalve, como estratégia para discussão sobre conceitos morfológicos e etnoecológicos. Desse modo, a dinâmica se estrutura na necessidade de ampliar práticas pedagógicas que valorizem tanto o conhecimento científico quanto saberes populares, especialmente aqueles relacionados à etnoecologia de organismos marinhos. Com isso, a oficina busca contribuir para a formação de uma visão crítica e integrada sobre a biodiversidade, aproximando os participantes das relações entre cultura, ambiente e ciência. O objetivo geral é promover a compreensão da anatomia e da ecologia de invertebrados marinhos por meio de metodologias ativas e de baixo custo de modo a: estimular a aprendizagem significativa por meio da modelização; valorizar os conhecimentos tradicionais relacionados ao uso e manejo de ouriços-do-mar e bivalves; e incentivar práticas educativas sustentáveis e acessíveis. Desse modo, a relevância da atividade está na potencial contribuição para o ensino de Ciências e Biologia em contextos formais e não formais, sobretudo ao oferecer alternativas didáticas de baixo custo e ao promover o diálogo entre diferentes formas de conhecimento, fortalecendo a perspectiva da educação científica comprometida com a diversidade cultural e sustentabilidade.
O tamanho corporal é uma característica variável nos organismos e estar ligada a diversos aspectos biológicos, ecológicos e comportamentais. diferentes regras biogeográficas têm sido propostas para explicar essa variação com base em padrões observados ao longo de gradientes ambientais. Entre as principais, a regra de Bergmann prevê uma relação positiva entre o aumento da latitude e o tamanho corporal; a regra de Allen relaciona a variação no tamanho de apêndices às condições térmicas; e a regra de Rensch descreve padrões de dimorfismo sexual de tamanho entre machos e fêmeas.
Essas regras macroecológicas, são utilizadas para explicar padrões de variação morfométrica em função de fatores, como temperatura e pressões evolutivas. Sua elaboração foi bem estabelecida em vertebrados endotérmicos, mas, a aplicação em organismos ectotérmicos, como os crustáceos decapoda, apresenta lacunas e resultados controversos. Nesse contexto, este minicurso tem como objetivo discutir os fundamentos teóricos dessas regras e explorar sua aplicabilidade em crustáceos, analisando padrões de tamanho corporal, dimorfismo sexual e variação de apêndices.
Serão apresentados estudos de caso envolvendo espécies de interesse ecológico e econômico, com abordagens metodológicas como análises morfométricas, regressões alométricas e integração com variáveis ambientais. Também serão discutidas possíveis influências de fatores correlatos a latitude na modulação desses padrões.
O tema é relevante pois auxilia a compreensão como organismos aquáticos respondem a gradientes latitudinais. Além disso, o minicurso contribui para a formação de estudantes e pesquisadores ao oferecer ferramentas conceituais e analíticas para investigar padrões macroecológicos em invertebrados. Espera-se estimular o pensamento crítico sobre a generalidade dessas regras e incentivar novas abordagens em estudos comparativos com diferentes animais.
A análise de dados é uma etapa fundamental em estudos nas áreas de Zoologia, Ecologia e demais ciências biológicas, sendo indispensável para a interpretação de padrões ecológicos, distribuição de espécies, biodiversidade e dinâmica populacional. Nesse contexto, o uso de ferramentas computacionais para organização, análise e visualização de dados tornou-se cada vez mais necessário na formação acadêmica e científica de estudantes e pesquisadores. Entre essas ferramentas, o software R destaca-se por ser gratuito, amplamente utilizado na comunidade científica e altamente eficiente para análises estatísticas e produção de gráficos. Entretanto, muitos estudantes ainda apresentam dificuldades no primeiro contato com estatística aplicada e programação, especialmente quando relacionadas a dados biológicos e ecológicos.
Nesse contexto, o minicurso “Introdução à Estatística no software R” tem como objetivo fornecer uma introdução prática aos conceitos básicos de estatística utilizando o ambiente de programação R, com enfoque em aplicações voltadas para dados biológicos e ecológicos. Durante o minicurso, os participantes aprenderão a manipular bancos de dados, realizar análises estatísticas básicas, construir gráficos e interpretar resultados de forma aplicada. Também serão apresentados os fundamentos iniciais da programação em R, incluindo estruturas de dados, operações básicas e funções essenciais para análises científicas.
Destinado a iniciantes, o minicurso não requer conhecimento prévio em estatística ou programação. A proposta busca contribuir para a formação de estudantes e pesquisadores da área de Zoologia, oferecendo ferramentas fundamentais para análises de dados em pesquisas científicas e incentivando a autonomia no tratamento e interpretação de informações ecológicas e biológicas.
A realidade das mudanças climáticas (MC) é indiscutível e representa um conjunto de ameaças significativas sobre a biodiversidade e os biomas em todo o planeta. Soluções naturais para a mitigação e adaptação ao novo cenário global podem ser implementadas utilizando-se medidas AbE (“Adaptação baseada em Ecossistemas”) que representa uma metodologia amplamente discutida nos fóruns das Convenções das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica, Mudanças do Clima e de Combate à Desertificação nas duas últimas décadas. Os ambientes costeiros tropicais como os do Nordeste brasileiro são bastante vulneráveis frente ao endurecimento climático, pelo que é urgente contar com recursos humanos capacitados para atuar junto aos ecossistemas costeiro-marinhos e territórios dos povos tradicionais dependentes destes. O objetivo principal da presente proposta é sensibilizar os participantes quanto aos princípios básicos dessa metodologia e o papel dos serviços ecossistêmicos na sociedade, em particular no contexto da adaptação à MC com ênfase em ambientes tropicais. A atividade consistirá numa oficina de quatro horas subdividida em dois momentos (dia 1: teórico-prático; dia 2: prático) versando nos seguintes conteúdos:(i) Vulnerabilidade Climática Costeira, (ii) Adaptação em Ecossistemas Costeiros (manguezais e recifes de coral) e (iii) Fundamentos e aplicação de medidas AbE. Após a apresentação inicial de um caso de vulnerabilidade no ecossistema de interesse, os ministrantes organizarão grupos de trabalho para identificar a problemática e, com a base teórica fornecida, discutir impactos e propor soluções AbE. Espera-se que os interessados aprofundem o domínio da metodologia vivenciada na oficina e desenvolvam iniciativas para sua replicação em estratégias de mitigação climática no contexto regional, integrando o conhecimento às realidades das comunidades tradicionais.
O rastreamento de animais silvestres por telemetria tem revolucionado os estudos de ecologia do movimento, uso do habitat, comportamento e conservação de espécies crípticas ou de difícil observação direta. No entanto, o acesso a esse método ainda é limitado para muitos pesquisadores em formação devido ao alto custo dos equipamentos, à complexidade técnica e à escassez de capacitações práticas. Este minicurso tem como objetivo apresentar os fundamentos da telemetria aplicada à fauna, abordando os diferentes tipos de transmissores disponíveis (VHF, GPS, satelital), seus princípios de funcionamento, vantagens e limitações, bem como os critérios de escolha de acordo com o grupo zoológico e a pergunta de pesquisa. Serão discutidas técnicas de fixação dos transmissores em diferentes espécies, considerações éticas e logísticas de campo. A parte prática consistirá em uma simulação de rastreamento com transmissores VHF escondidos em um campus universitário, onde os participantes utilizarão antenas e receptores para localizar os sinais, vivenciando de forma lúdica e didática os desafios do monitoramento telemétrico em campo. Ao final, os participantes estarão aptos a planejar estudos com telemetria, escolher o equipamento mais adequado para seu objeto de estudo e executar um rastreamento básico com transmissores VHF, compreendendo o potencial e os limites dessa tecnologia para a conservação da fauna.
Dado, informação, universo, amostra (independente e pareada), replicação e tipos de amostragem (apenas aleatória e por conveniência). Medidas de tendencia central e dispersão. Método hipotético dedutivo e inferência estatística (variáveis, nível de significância, pvalor, gl). Pressupostos dos testes (normalidade, homocedasticidade), testes (correlações e regressões simples, teste t e mann whitney, teste t pareado e wilcoxon, anova, kruskal wallis e permanova com dist euclidiana, anova de medidas repetidas), como organizar os dados e pedir pra IA escrever script no R, sigmaplot e ggplot2.
A linguagem de programação R é uma linguagem e software de código aberto, acessível de forma gratuita e amplamente utilizada como ferramenta para análise e visualização de dados. Sua adoção pela comunidade acadêmica global, especialmente em todos os campos da Biologia, fez com que seu domínio se tornasse uma habilidade básica esperada por pesquisadores, para que estes possam utilizar métodos de análise (simples ou mais complexos) de forma transparente, reproduzível e com acesso a novas abordagens e metodologias. Porém, sua natureza de linguagem e seu uso restrito à linhas de comando podem tornar sua aprendizagem bastante desafiadora, especialmente sem o acompanhamento adequado.
Dentro do campo da Zoologia, o R oferece diversas ferramentas voltadas para análise de dados de levantamento de fauna. Dentro do ambiente R podemos trabalhar desde métodos descritivos (como índices de diversidade e diagramas de rank-abundância, por exemplo) até os métodos mais avançados para estimativas de riqueza de espécies (como as abordagens que permitem a extrapolação da curva do coletor para prever quantas novas espécies podem ser coletadas ao aumentarmos o esforço amostral).
Neste mini curso, vamos apresentar o uso do R de forma clara, acessível e amigável, mesmo para pessoas sem experiência prévia com a linguagem. Além de cobrir os fundamentos básicos, iremos compartilhar materiais e indicar caminhos que permitem avançar no domínio desta ferramenta. Por fim, iremos aprender o uso do R trabalhando com exemplos práticos de dados de levantamento de fauna, e usaremos análises e pacotes voltados para análise de diversidade biológica, cobrindo índices de diversidade, gráficos relevantes e estimativas de riqueza de espécies.
O plástico é um material sintético amplamente utilizado, derivado principalmente de fontes não renováveis, cuja persistência ambiental favorece sua fragmentação em partículas de menores dimensões ao longo do tempo. Essas partículas, com tamanho entre 1 micrômetro e 5 milímetros, são denominadas microplásticos, podendo ser classificados como primários, quando produzidos intencionalmente nesse tamanho, ou secundários, quando resultantes da degradação de plásticos maiores. Considerados contaminantes emergentes, os microplásticos têm sido registrados em diferentes compartimentos ambientais, incluindo água, sedimentos e biota, evidenciando sua ampla distribuição e potencial de bioacumulação em organismos aquáticos.
Sob a perspectiva zoológica, sua relevância está associada à interação direta com a fauna aquática, uma vez que essas partículas podem ser ingeridas por diferentes grupos, interferindo em processos fisiológicos e ecológicos. Nesse contexto, a escolha de camarões da espécie Litopenaeus vannamei justifica-se por seu hábito bentônico, que favorece o contato com sedimentos contaminados, além de sua importância econômica e ampla inserção na dieta humana. As esponjas do gênero Tethya, por sua vez, destacam-se como organismos filtradores capazes de processar grandes volumes de água, atuando como potenciais bioindicadores da presença de microplásticos no ambiente.
Apesar do avanço das pesquisas, ainda persistem lacunas relacionadas à padronização de metodologias e à detecção eficiente dessas partículas em matrizes biológicas, limitando comparações entre estudos. Além disso, os efeitos sobre os organismos, como alterações fisiológicas e inflamações, ainda demandam investigação aprofundada.
Diante disso, o presente minicurso tem como objetivo capacitar os participantes nos principais métodos de detecção de microplásticos em organismos aquáticos, integrando teoria e prática. A proposta contribui para a formação técnico-científica na área de Zoologia, promovendo a compreensão das interações entre contaminantes emergentes e a biota, além de fortalecer discussões sobre conservação e qualidade ambiental no contexto regional do Nordeste brasileiro.
Simbioses, da junção grega de syn e bios, significando “vida em conjunto” ou “vida conjunta”. Inicialmente definida como a vida conjunta de organismos distintos, sua definição perpassou uma série de debates e apropriações, envolvendo ressignificações como um sinônimo de mutualismo. Em 2001, a partir de Wilkinson, ela seria definida como: “a close physical association between two organisms, usually from different specie”. Este processo, aparentemente banal, foi responsável por moldar a biota terrestre, desde os microrganismos até relações reconhecíveis na atualidade, tendo papel fundamental na evolução dos organismos ao longo do tempo. Majoritariamente estudada na perspectiva de microrganismos e organismos recentes, a recente inclusão de fósseis neste debate permite o entendimento histórico dessas relações, por meio de sua percepção no registro fossilífero. Neste minicurso, iremos aprender a teoria e história por trás da simbiose, seu impacto em organismos vivos e, sobretudo, como reconhecer evidências que permitem sua inferência no registro fossilífero. Adicionalmente, iremos debater os impactos da simbiose para o desenvolvimento, evolução e história da Vida na Terra e a noção de evolução em conjunto, onde o aparecimento de novos clados, sobretudo simbiontes, geram modificações bióticas nos ecossistemas, impulsionando o desenvolvimento de novas grupos de organismos adaptados à existência destes novos organismos. De maneira resumida e parafraseando Lynn Margulis e, seu filho, Dorion Sagan: “A vida não tomou conta do mundo por combate, mas por interligar-se.”
As serpentes constituem um grupo diverso e amplamente distribuído, ocupando diferentes habitats como terrestres, aquáticos e arbóreos. No Brasil, são registradas cerca de 435 espécies, das quais aproximadamente 15% são peçonhentas, distribuídas em diferentes famílias. Apesar de sua relevância ecológica, esses animais ainda despertam sentimentos ambíguos, variando entre fascínio e medo, sendo frequentemente associados a preconceitos e perseguição, o que contribui para a pressão antrópica e o declínio de suas populações. Ecologicamente, desempenham papel fundamental nos ecossistemas, atuando como predadoras e presas, contribuindo para o equilíbrio da teia alimentar, além de atuarem como bioindicadoras da qualidade ambiental e, em alguns casos, como espécies guarda-chuva. Adicionalmente, apresentam grande importância biomédica, uma vez que propriedades de toxinas de espécies peçonhentas têm sido utilizadas no desenvolvimento de fármacos para o tratamento de diversas doenças humanas e na produção de soro antiofídico. Apesar disso, o conhecimento sobre a história natural, ecologia e estado de conservação de muitas espécies ainda é limitado, evidenciando a necessidade de estudos que utilizem técnicas de amostragem e monitoramento, como marcação e recaptura, para subsidiar estratégias de conservação. Nesse contexto, o minicurso propõe apresentar a diversidade, ecologia e história natural das serpentes brasileiras, bem como introduzir métodos de estudo aplicados a populações e comunidades, ao mesmo tempo em que busca desmistificar percepções negativas e evidenciar a importância desses animais para a manutenção dos ecossistemas. Como atividade prática, serão utilizados exemplares preservados em meio líquido provenientes da coleção herpetológica da UFPB, permitindo a observação de características morfológicas e a aproximação dos participantes com o material biológico. Dessa forma, a proposta se alinha à temática do evento ao integrar conhecimento científico, educação ambiental e conservação da biodiversidade.
Essa oficina propõe a integração entre conhecimentos científicos da Zoologia e saberes tradicionais associados aos ecossistemas costeiros. A atividade tem como foco a montagem em grupo de dois modelos didáticos: um ouriço-do-mar e um molusco bivalve, como estratégia para discussão sobre conceitos morfológicos e etnoecológicos. Desse modo, a dinâmica se estrutura na necessidade de ampliar práticas pedagógicas que valorizem tanto o conhecimento científico quanto saberes populares, especialmente aqueles relacionados à etnoecologia de organismos marinhos. Com isso, a oficina busca contribuir para a formação de uma visão crítica e integrada sobre a biodiversidade, aproximando os participantes das relações entre cultura, ambiente e ciência. O objetivo geral é promover a compreensão da anatomia e da ecologia de invertebrados marinhos por meio de metodologias ativas e de baixo custo de modo a: estimular a aprendizagem significativa por meio da modelização; valorizar os conhecimentos tradicionais relacionados ao uso e manejo de ouriços-do-mar e bivalves; e incentivar práticas educativas sustentáveis e acessíveis. Desse modo, a relevância da atividade está na potencial contribuição para o ensino de Ciências e Biologia em contextos formais e não formais, sobretudo ao oferecer alternativas didáticas de baixo custo e ao promover o diálogo entre diferentes formas de conhecimento, fortalecendo a perspectiva da educação científica comprometida com a diversidade cultural e sustentabilidade.
A diversidade da forma corporal dos organismos sempre despertou interesse na Zoologia, motivando o desenvolvimento de abordagens qualitativas e quantitativas para sua compreensão. A forma biológica resulta de múltiplas forças evolutivas, especialmente seleção natural e sexual, constituindo uma fonte central de informação sobre processos ecológicos, evolutivos e funcionais. Nesse contexto, a Morfometria Geométrica emerge como uma abordagem inovadora e interativa para quantificar e analisar a variação da forma corporal, permitindo interpretações mais robustas e integradas. Além disso, ao dialogar com conhecimentos tradicionais — como percepções locais sobre variações morfológicas, reconhecimento de espécies e adaptações ambientais —, essa ferramenta amplia sua relevância ao integrar diferentes formas de conhecimento na investigação zoológica. O mini-curso tem como objetivos: (i) apresentar os conceitos fundamentais de Bauplan, tamanho e forma corporal, bem como a variação morfológica em organismos; (ii) introduzir os princípios básicos da Morfometria Geométrica como ferramenta de análise quantitativa da forma; e (iii) demonstrar aplicações práticas dessas técnicas em estudos com organismos invertebrados e vertebrados, incluindo exemplos que dialoguem com classificações e observações oriundas de conhecimentos tradicionais. A relevância do tema reside na capacidade da Morfometria Geométrica de contribuir para diversas áreas da Zoologia, como taxonomia, ecologia, evolução e conservação. A análise da forma corporal permite identificar variações populacionais, padrões de dimorfismo sexual e auxiliar no reconhecimento taxonômico, além de possibilitar reconstruções morfológicas em contextos evolutivos. Ao integrar saberes tradicionais — frequentemente baseados em observações empíricas detalhadas da natureza — com ferramentas analíticas modernas, o mini-curso promove uma abordagem mais inclusiva e interdisciplinar, alinhada ao tema do evento. Dessa forma, busca-se não apenas capacitar os participantes tecnicamente, mas também estimular perspectivas integradoras na produção do conhecimento zoológico.
Por favor, descreva abaixo a razão da sua denúncia.