Bê éfi: performance, identidade e letramentos de reexistência nas práticas musicais da banda Negril

  • Autor
  • Marcos Rosa da Silva
  • Co-autores
  • Jonas Soares Lana
  • Resumo
  • O Centro Cultural Donana tem influência e importância para o cenário artístico de Belford Roxo e Baixada Fluminense, o que pode ser observado em trabalhos acadêmicos anteriores a este, que discutem a trajetória do espaço com foco não só na arte, como também elucidam, com diferentes abordagens, questões de políticas públicas para a classe artística da região metropolitana do Rio de Janeiro. Nas décadas de 80 e 90 o quintal de Dona Ana foi o solo que nutriu a semente de bandas como Cidade Negra, O Rappa, Nocaute, entre outros artistas e coletivos. Com base nas teorias raciais e no encontro com as teorias linguísticas, este trabalho propõe uma análise do discurso produzido por um dos primeiros frutos: a banda Negril (antiga KMD-5), que teve seu primeiro álbum gravado em 1996. O grupo musical é importante não só para a cidade de Belford Roxo, mas também por sua contribuição para o cenário do reggae no estado do Rio de Janeiro, não obstante a relevância nacional, no encontro com grandes artistas da MPB, ainda que indiretamente. A Negril reflete em seu trabalho uma parte da história da a própria casa: a Baixada Fluminense, traduzida em música pelos integrantes, que contam sobre suas plurais vivências com reggaes.

    Neste trabalho faremos a transcrição e a análise da letra de “BF”, canção gravada no segundo álbum da banda intitulado “A Outra Margem do Rio” (2000). Nosso objetivo é compreender a estrutura do discurso dessa canção, recorrendo também a fontes históricas para relacionar a prática com o contexto, considerando que esta é uma performance por sujeitos que são ao mesmo tempo observadores e protagonistas do cotidiano belforroxense. A banda versa sobre os desejos, as filosofias, as crenças, mas também o desconforto frente a opressões de classe e raça. Os atores produzem assim um discurso racializado sobre a cidade e sobre si, explicitando também o intento de ressignificação das próprias experiências como moradores da Baixada Fluminense, as quais eram objeto de reiterada estigmatização.

     

    Em relação à metodologia, articularemos o conceito de letramentos de reexistência, apresentado na tese “Letramentos de Reexistência: Culturas e Identidades no Movimento Hip Hop” (Souza, 2011), em diálogo com os(as) teóricos(as) das áreas de linguística aplicada e filosofia da linguagem. Como exemplo, destacamos Frantz Fanon em “O Negro e a Linguagem”, capítulo primeiro de sua obra “Pele Negra, Máscaras Brancas”, no qual o autor propõe questionamentos que envolvem o negro e sua performatividade linguística em uma sociedade de padrões eurocêntricos de comportamento, pensamento e concepções sobre música, o que nos permitirá estabelecer diálogos também com pesquisadores do campo da etnomusicologia. Ao final deste percurso, teremos delineado um panorama inicial sobre como se deram tais práticas musicais e de letramentos, sobre como elas se enquadram no conceito de Souza e sobre sua relevância para os atores sociais envolvidos nos referidos processos.

  • Palavras-chave
  • Centro Cultural Donana, Baixada Fluminense, Letramentos, Repertórios Negros.
  • Área Temática
  • ST 04 - Periferia é Centro: processos artísticos e culturais em contramão
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O IFRJ campus Belford Roxo promove, anualmente, a Semana Acadêmica do IFRJ campus Belford Roxo, que conta com palestras, mesas redondas, oficinas, minicursos, apresentações artísticas e culturais, além dos resultados de trabalhos desenvolvidos ao longo dos cursos oferecidos no referido campus. O evento costuma acontecer concomitantemente à Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Economia Criativa.

Dentro da Semana Acadêmica, ocorre, ainda, o Encontro de Pesquisadores, momento em que os servidores atuantes no campus Belford Roxo apresentam os resultados de seu trabalho, conectando pesquisa, ensino e extensão.

No ano de 2020, de 19/10 a 23/10, ocorreram a 3a. Semana Acadêmica do IFRJ campus Belford Roxo e a Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Economia Criativa. Ainda compondo os eventos, de 16/11 a 18/11, ocorreu o 3º. Encontro de Pesquisadores do IFRJ campus Belford Roxo. Com o isolamento social decorrente da pandemia do COVID-19, foi a primeira vez que os eventos aconteceram totalmente online. Também foi a primeira vez em que as submissões de trabalhos foram abertas aos pesquisadores de outras instituições e aos estudantes, movimento que só foi possível em razão da expertise adquirida com a realização dos eventos em anos anteriores.

Com o tema “Baixada Fluminense Presente! Diálogos entre Educação, cultura e Arte”, estudantes e profissionais, preferencialmente atuantes na Baixada Fluminense, puderam submeter seus resumos estruturados e/ou relatos de experiências. Estes trabalhos submetidos foram organizados e apresentados em quatro Simpósios Temáticos:

O ST 01 - Direitos humanos, culturas e identidades, coordenado pela professoras Heloisa Santos, Lívia Paiva e em parceria com a coordenadora do ST 06, Jaqueline Gomes recebeu trabalhos que discutiam as questões de gênero, raça e classe, a partir de uma perspectiva crítica que avaliasse o sexismo, o machismo, a lgbtfobia, o racismo e o classismo como violações dos direitos humanos. Considerando tais elementos, trabalhos que abordassem estas questões, especialmente a partir de uma perspectiva interseccional, eram de interesse deste ST, seja em uma perspectiva teórica, seja por meio de trabalhos que trouxessem resultados de práticas educativas, ativistas, artísticas, dentre outras formas de abordar a luta pelos direitos no mundo contemporâneo, especialmente aqueles que buscavam estabelecer diálogos que se voltem para o Eixo Sul-Sul.

O ST 02 - Gestão, design, moda e carnaval, coordenado pelos professores Flávio Sabrá, André Dias em parceria com a coordenadora do ST 06, Cássia Mousinho, se propôs a ser um espaço para a discussão e reflexão crítica de questões relacionadas às práticas de gestão e negócios no campo da moda, carnaval e festejos, observando sua relação com design, arte, vestuário, artesanato, modelagem, administração e as suas interlocuções entre o processo criativo, produtivo, distributivo e de validação dentro da Cadeia Têxtil/Confecção e da Economia Criativa, seja em trocas formais ou informais.

O ST 03 - Cidades, territórios, culturas e educação, coordenado pelas professoras Gabriela Ribeiro e Bárbara Friaça, abordou trabalhos que traziam o debate sobre cidades, territórios e as vivências deles e neles, intermediadas por diversas vertentes culturais e educacionais (artesanato, moda, culinária, acervos de espaços de cultura e memória, patrimônio cultural, espaços culturais, espaços de lazer, urbanismo, design, educação formal, não formal e informal, entre outros). Também recebeu trabalhos que discutiam sobre inclusão social, entendendo que possibilitar acesso e usufruto amplos e irrestritos aos espaços citadinos contribuem para o incremento da inclusão social, propiciando uma formação holística às pessoas, nos âmbitos cultural, social, educacional, de lazer, de desporto, entre outros.

O ST 04 - Periferia é Centro: processos artísticos e culturais em contramão, coordenado pelas professoras Ana Adelaide Balthar e Lucia Vignoli, buscava discutir como os rearranjos espaciais reverberam nas produções artísticas culturais das periferias urbanas frente a questão do distanciamento social devido a pandemia de COVID-19. “Reinventamos e experimentamos existências bidimensionais, através de dispositivos digitais. Telas de telas. Os deslocamentos se restringiram, mas os encontros se constelaram. De repente, a Baixada não sofre de lonjura, de repente a periferia é centro”.

O ST 05 - Corpos, diversidades, identidades e culturas, coordenado pela professora Jaqueline Gomes, objetivava fomentar, em um ambiente complexo, a inclusão de pessoas oriundas de diferentes grupos sociais. Recebia trabalhos que promovessem investigações e propostas de intervenção, considerando os corpos em suas possibilidades na cultura das aparências. 

O ST 06 - Design, artesanato e tecnologia, coordenado pela professora Cassia Mousinho, buscava fomentar a análise do trabalho artesanal, através de seus aspectos estéticos, técnicos, mercadológicos e sociais. Também pretendia reforçar a importância do desenvolvimento de tecnologias e os artefatos a elas associados no âmbito material ou digital, realizando uma ponte entre o artesanato e o design.

Estes Anais são resultantes dos trabalhos aprovados e apresentados no 3º. Encontro de Pesquisadores do IFRJ campus Belford Roxo. É uma das nossas contribuições para a reafirmação da Baixada Fluminense enquanto território potente cultural, artística e educacionalmente.

Boa leitura!

  • ST 01 - Direitos humanos, culturas e identidades: gênero/gêneros
  • ST 02 - Gestão, design, moda e carnaval
  • ST 03 - Cidades, territórios, culturas e educação
  • ST 04 - Periferia é Centro: processos artísticos e culturais em contramão
  • ST 05 - Corpos, diversidades, identidades e culturas
  • ST 06 - Design, artesanato e tecnologia

3º Encontro de Pesquisadores - IFRJ/Campus Belford Roxo

Comissão Organizadora

Docentes

Heloisa Helena de Oliveira Santos - Coordenadora de Extensão, Pesquisa e Pós-Graduação
André Monte Pereira Dias
Flávio Glória Caminada Sabrá
Gabriela Sousa Ribeiro
Lucivania Filomeno Ponte

 

Estudantes
Sara Canto
Gregory Andrade

Comissão Científica

Alicia Romero - UNESA

Ana Adelaide Lyra Porto Balthar - Nena Balthar

André Monte Pereira Dias

Bárbara Boaventura Friaça

Cassia Mousinho de Figueiredo

Charles Leite - UFPE

Denise Loyla Silva

Flávio Glória Caminada Sabrá

Gabriela Sousa Ribeiro

Heloisa Helena de Oliveira Santos

Jaqueline Gomes de Jesus

Lívia de Meira Lima Paiva

Lucivania Filomeno Ponte

Maria Lucia Vignoli Rodrigues de Moraes - INES

Vanessa Santos Ximenes

 

Reitor

Raphael Barreto Almada

Pró-reitora de Extensão

Ana Luisa Lima

Diretor de Implantação - Campus Belford Roxo

Marcio Franklin de Oliveira

Diretora de Ensino

Rosi Marina Rezende

Coordenação de Extensão, Pesquisa e Pós-graduação do Campus Belford Roxo: extensao.cbel@ifrj.edu.br