RETIROLÂNDIA NO CONTEXTO DOS MUNICÍPIOS DO SEMIÁRIDO BAIANO

 

Distante 227 km da capital baiana – Salvador, o município de Retirolândia teve sua emancipação política no dia 27 de julho de 1962, desvinculando-se territorialmente do município de Conceição do Coité. A Constituição de 1946, pós Era Vargas, instituiu a autonomia dos municípios e, além disso, definiu o conceito do que deveria ser uma administração local, decretação e arrecadação de tributos como, também, deu liberdade de aplicação financeira e à organização de todos os serviços públicos locais. Cigolini (2014) nos informa que em 1947 foi criado apenas um município no território brasileiro, no entanto em 1962 surgiram 430 munícipios. Retirolândia foi um deles.

Os memorialistas locais contam que a origem da cidade de Retirolândia se deu a partir do território de uma fazenda, cujo nome era Retiro, onde, aos domingos, havia um pequeno comércio de carnes bovinas. A região, paulatinamente, foi sendo habitada, possibilitando que em 1953 chegasse à condição de vila. A movimentação política que orbitava em torno da criação de novos municípios no Estado da Bahia deu condições para que a vila pudesse alcançar o foro de cidade a partir da Lei nº 1.752 de 27 de julho de 1962. Contudo, como a fazenda de origem se chamava Retiro, foi escolhido o nome Retirolândia para não se perder a identidade local.

Vale ressaltar que o município de Retirolândia faz parte do território do Sisal, denominado região sisaleira do Estado na Bahia, “no domínio morfoclimático do semiárido”, composto por 20 municípios que têm suas atividades econômicas voltadas para a agropecuária, indústrias e mineração. Sobretudo, prevalece a atividade do cultivo do sisal – nome científico Agave sisalana Pierre – associada a pecuária com a criação de caprinos, bovinos e ovinos, sendo que nessa conjuntura existe o cultivo e a criação de subsistência. Retirolândia, inserida nesse contexto, teve sua vocação econômica inclinada para a cultura do sisal e demais etapas da produção de fibras, cordas e outros.   

No início do mês de Junho os católicos promovem 13 dias de celebração a Santo Antônio, padroeiro da cidade. Em especial, tornou-se famosa a festa junina do São Pedro, realizada sempre no final do mês de junho, concluindo o circuito dos festejos juninos promovidos nos mais diversos municípios da região sisaleira, assim como acontece no âmbito do Nordeste brasileiro. Nos primórdios dos festejos do São Pedro eram contratados trios elétricos, bandas e artistas, aos moldes do carnaval de Salvador, que faziam um percurso ao redor da praça principal, enquanto que no Clube Social local havia festa privada em horário oposto ao desfile do trio elétrico. No final dos anos 1990 o conceito de festa junina foi sendo adotado e o trio elétrico deixou de ser um elemento da festa, bem como o estilo musical forró é o mais favorecido.  

Certamente muitos outros detalhes a respeito do município de Retirolândia não coube nesse texto, tendo em vista que não se teve a pretensão de fazer uma historiografia abrangente e fundamentada em teorias e apresentação das fontes. Algumas possibilidades analíticas serão desdobradas em seis dias do webinário acadêmico que comemorará 58 anos de emancipação política trazendo temáticas como:

Mesa 01: Imagens, memórias, histórias e espacialidades da Festa de São Pedro;

Mesa 02: Olhares e intervenções sobre a educação e uso das tecnologias;

Mesa 03: Políticas, Religiosidades e Movimentos Sociais;

Mesa 04: Dimensões do trabalho no campo e Políticas de Erradicação do Trabalho Infantil;

Mesa 05: Associativismo, Reorganização espacial e Políticas Públicas;

Mesa 06: Dinâmicas entre Natureza e Sociedade.

Sidney de Araujo Oliveira

Mestre em Desenho, Cultura e Interatividade – UEFS

e-mail: leonfsa@gmail.com