O setor de eventos no Brasil nunca esteve tão grande. Em 2024, foram realizados mais de 10 milhões de eventos no país, com cerca de 1,7 bilhão de participações de público. O faturamento chegou a R$ 813,5 bilhões, representando 4,6% do PIB nacional.
Esses são os dados do III Dimensionamento do Setor de Eventos no Brasil 2024/2025, o maior estudo já realizado sobre o mercado de eventos no país. Conduzido pelo Observatório da Indústria do SENAI Ceará, com apoio do SEBRAE e da ABEOC Brasil, o levantamento entrevistou 1.108 empresas ao longo de 15 meses e cruzou dados com bases da Receita Federal e do Ministério do Trabalho e Emprego.
Se você organiza eventos — sejam corporativos, acadêmicos, técnico-científicos ou sociais — este estudo tem informações que afetam diretamente o seu negócio.
Um setor que se recuperou e cresceu além do esperado
Depois dos anos de pandemia, que praticamente paralisaram o setor, a recuperação foi consistente e rápida. O faturamento de R$ 813,5 bilhões representa um crescimento de 92,5% em relação ao II Dimensionamento (2013/2014) — e de 355,9% em comparação ao primeiro levantamento, realizado em 2001/2002. Todos os valores foram deflacionados para preços de 2024, o que torna a comparação legítima.
A participação no PIB voltou aos 4,6% registrados antes da pandemia. O setor gerou aproximadamente 12,7 milhões de empregos — sendo 64,1% temporários, 30,5% CLT e 5,5% PJ —, números que evidenciam a grande capilaridade da cadeia produtiva.
Para contextualizar a escala do que isso representa: cada evento realizado no Brasil reúne, em média, 171 participantes. Isso inclui desde reuniões corporativas e congressos científicos até eventos socioculturais e feiras. O mercado é pulverizado, plural e presente em todo o território nacional.

Quem compõe esse mercado
O estudo identificou aproximadamente 300 mil empresas vinculadas à cadeia de eventos no Brasil, divididas em três categorias: espaços para eventos, organizadores e fornecedores de produtos e serviços.
A grande maioria são microempresas (73,1%) e pequenas empresas (22,8%). Apesar do porte reduzido, juntas respondem por 48% dos eventos realizados e por 85,9% das participações de público. O setor é essencialmente formado por empreendedores, e isso tem implicações diretas nos desafios que o mercado enfrenta.
Os tipos de eventos mais realizados são socioculturais (55,2%), seguidos por eventos mistos (50,5%), feiras (49,9%) e congressos (45,2%). Para plataformas como a Doity, que atende eventos corporativos, acadêmicos e técnico-científicos, esse dado mostra a diversidade e a profundidade do mercado que existe no Brasil.
Quanto aos contratantes, as empresas privadas aparecem como os clientes mais frequentes das organizadoras de eventos (98,5% das organizadoras realizaram eventos para o setor privado), seguidas de órgãos públicos (74,7%), associações e sindicatos (73,7%) e entidades do terceiro setor (68%).
Como o setor está distribuído regionalmente
A concentração ainda é maior no Sudeste, que responde por 48% dos eventos realizados e por R$ 289,2 bilhões em faturamento. Mas o estudo revela um dado importante: o Nordeste está crescendo. A região ocupa a terceira posição em volume de eventos (18,1%) e se aproxima do Sul em faturamento — R$ 109,5 bilhões contra R$ 113,8 bilhões da região Sul.
Isso não é coincidência. Expansão do turismo, melhoria da infraestrutura e realização de eventos de maior escala estão reposicionando o Nordeste no mapa do setor. Para organizadores que atuam fora do eixo Sudeste-Sul, este é um sinal de que o mercado está se descentralizando.
O levantamento do ranking da International Congress and Convention Association (ICCA) reforça essa perspectiva global: o Brasil passou do 25º para o 15º lugar em relevância internacional para congressos e convenções entre 2022 e 2024, e o número de cidades brasileiras que receberam eventos internacionais saltou de 26 para 48 no mesmo período.

As principais tendências identificadas pelo estudo
Para projetar os próximos dez anos, o III Dimensionamento realizou workshops com 205 participantes em todas as cinco regiões do Brasil. O resultado foi um mapa de 18 tendências agrupadas em dimensões políticas, econômicas, sociais, tecnológicas, ambientais e legais.
As que têm maior impacto direto para organizadores de eventos:
Inteligência artificial na operação dos eventos. A IA já está sendo usada para ampliar produtividade, facilitar a colaboração entre equipes e personalizar a experiência de participantes. Organizadores que não integram essas ferramentas tendem a perder eficiência e competitividade.
Eventos híbridos como padrão. A integração entre presencial e virtual deixou de ser exceção durante a pandemia e se tornou parte permanente da estratégia de muitos organizadores. O estudo aponta que o futuro combina cada vez mais o natural, o humano e o tecnológico.
Sustentabilidade como critério de decisão. Patrocinadores, empresas contratantes e participantes passam a exigir práticas de ESG. Atualmente, 76,3% dos espaços de eventos já adotam programas de gestão de resíduos e 57,2% incentivam o uso de materiais mais sustentáveis. A governança responsável ainda é o ponto mais fraco — apenas 36,7% adotam políticas de conformidade ética com fornecedores.
Personalização da experiência do participante. Os dados mostram uma demanda crescente por eventos que gerem conexões reais, com propósito e foco em experiências memoráveis. Isso pressiona organizadores a pensar além da logística e investir em curadoria de conteúdo e engajamento.
Tecnologia como diferencial operacional. Plataformas de inscrição, aplicativos de eventos, credenciamento automatizado, gestão de programação, relatórios e analytics deixaram de ser vantagem competitiva para se tornarem requisito básico. Quem ainda opera manualmente está defasado.
Os desafios reais do setor
O estudo não esconde os gargalos. O principal desafio apontado pelas empresas organizadoras é a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada (40,7%), seguido pela baixa disponibilidade de fornecedores especializados (31,4%) e pela carga tributária (27,8%).
Para os fornecedores de produtos e serviços, a carga tributária pesa ainda mais — 38,7% das empresas a apontaram como um dos principais problemas, percentual bem acima do registrado entre organizadoras.
Outros desafios relevantes que o levantamento identificou nos workshops: insegurança jurídica nas relações trabalhistas, informalidade nos contratos, dificuldade de acesso a políticas públicas e alto custo para implementar práticas de ESG em empresas de pequeno porte.
Esses são problemas estruturais que impactam toda a cadeia — e que organizadores precisam considerar ao planejar equipe, fornecedores e orçamento.
O que os dados revelam de oportunidade para organizadores
Traduzindo o estudo para decisões práticas: o mercado está crescendo, o público está voltando com demanda reprimida e as empresas que combinam tecnologia com boa experiência estão na frente.
Quem organiza eventos corporativos ou acadêmicos tem espaço para crescer em pelo menos quatro frentes:
Automação do processo de inscrição e credenciamento. O suporte operacional no processo de inscrições — gestão, emissão de crachás e controle de acesso — é um dos itens mais valorizados pelo mercado. Eventos que ainda dependem de processos manuais perdem tempo e cometem mais erros.
Uso de dados para tomada de decisão. O levantamento mostra que redes sociais são o canal de comunicação dominante (96,6% das empresas usam), mas apenas 19,4% utilizam representantes de vendas e a maioria ainda não explora analytics com profundidade. Dados de engajamento, conversão de inscrições e comportamento de participantes são ativos que organizadores subutilizam.
Expansão regional. Com o Nordeste crescendo e o número de cidades que recebem eventos internacionais quase dobrando, há demanda por mais profissionalização em mercados fora dos grandes centros. Organizadores que estruturam operações regionais capturarão esse crescimento.
Geração de receita além das inscrições. Com a pressão sobre custos operacionais, diversificar fontes de receita — patrocínio, venda de conteúdo, pós-evento — passa a ser uma necessidade, não um diferencial.
A tecnologia como fator de aceleração
O III Dimensionamento é claro em um ponto: organizadores que usam tecnologia de forma integrada operam com mais eficiência e geram melhores resultados. Não é uma tendência futura — é o presente do setor.
Plataformas completas permitem centralizar inscrições, pagamentos, comunicação com participantes, gestão de programação, credenciamento e emissão de certificados em um único lugar. Isso reduz retrabalho, elimina planilhas paralelas e dá ao organizador controle real sobre o que está acontecendo — antes, durante e depois do evento.
O levantamento também aponta o uso crescente de aplicativos de eventos como parte da estratégia de experiência do participante. Apps que facilitam a navegação pela programação, o networking e o acesso a conteúdos são cada vez mais esperados pelos participantes de eventos corporativos e acadêmicos.
O que esperar até 2035
As projeções do estudo são consistentes: o setor pode chegar a R$ 1,565 trilhão em faturamento até 2035, com crescimento médio de 6,1% ao ano. A participação no PIB deve subir de 4,6% para 5%. O número de empregos deve crescer de 12,7 milhões para 15,6 milhões.
Para o Brasil, que avançou 10 posições no ranking da ICCA em dois anos, o caminho aponta para mais internacionalização, mais profissionalização e mais descentralização geográfica.
O mercado vai crescer. A questão é quem estará posicionado para capturar esse crescimento.

Conclusão
O III Dimensionamento do Setor de Eventos 2024/2025 não é apenas um retrato do tamanho do mercado. É um guia estratégico para quem trabalha com eventos no Brasil.
Os dados mostram um setor que superou a pandemia, cresceu estruturalmente e enfrenta desafios reais de qualificação, tributação e operação. As oportunidades estão na tecnologia, na experiência do participante, na sustentabilidade e na expansão regional.
Organizadores que souberem ler esses sinais e agir com agilidade sairão na frente.
Fonte dos dados: III Dimensionamento do Setor de Eventos no Brasil 2024/2025, realizado pelo Observatório da Indústria SENAI Ceará, com apoio do SEBRAE e da ABEOC Brasil. (Confira o documento completo).
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