Durante a execução de suas atividades fins, as instituições produzem diversos tipos de documentos. Depois de criados, inicia-se o seu ciclo de vida  útil: fase corrente, fase intermediária e fase permanente. Nesta última fase, também chamada de terceira idade, o documento não faz parte das tarefas diárias da instituição, ele é guardado para alguma eventual consulta e, principalmente, pelo valor histórico atribuído a ele. Esse é o caso dos arquivos permanentes que foram produzidos pela Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS), pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS) e pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), órgão federal (criado a partir do IFOCS), voltado para a problemática das secas no semiárido nordestino.

Parte do arquivo permanente do DNOCS encontra-se em um galpão no bairro Pici, na cidade de Fortaleza - CE, cidade onde está a sede administrativa do DNOCS. No referido arquivo, encontramos distintas tipologias de documentos, como exemplo, citamos aqui as pastas dos processos de construção dos açudes públicos, em cooperação e particulares, mais de 300 açudes, alguns deles com 12 pastas. Nestas pastas podemos encontrar: memórias justificativas do estudo preparatório para as construções, relatórios de serviços trimestrais, semestrais, fotografias, relatórios de saúde, documentos de engenharia, economia, geologia, geografia, pluviometria, tabelas e gráficos, ofícios, cartas, telegramas e outros. Além disso, é possível encontrar mapas e fotografias aéreas de diferentes regiões do Nordeste e pastas de documentos referentes ao estabelecimento de perímetros irrigados. Essa documentação está acondicionada em condições que não permitem a conservação, pelo contrário, está exposta a elementos degradantes.

A documentação descrita é de extrema importância para os estudos sobre História dos Sertões, pois, permitem a investigação de temáticas como seca, açudagem, irrigação, construção de estradas de rodagem, construção de postos agrícolas, as políticas públicas voltadas para as áreas acometidas pela seca e estudar a história da própria instituição produtora do arquivo. Somado a isso, é preciso dizer que a pesquisa nos referidos arquivos permite o encontro com indivíduos que ajudaram a construir a região Nordeste. Indivíduos como os trabalhadores das frentes de emergência, os engenheiros, os médicos e tantos outros que contribuíram, cada um a seu modo, para construir a nossa região, para construir possibilidades de futuro para o Brasil.

Sabendo da importância histórica do arquivo do IOCS, IFOCS e do DNOCS, os pesquisadores brasileiros em História dos Sertões, reunidos remotamente no o II Seminário Nacional de História Social dos Sertões / IV Jornada de História dos Sertões, promovido pelo Mestrado em História dos Sertões (MHIST-CERES-UFRN) vem conclamar as instituições públicas para a necessidade de preservação da documentação produzida pelos órgãos federais voltados para a problemática das secas no semiárido nordestino. Conclamamos e nos colocamos à disposição para pensar e construirmos juntos caminhos capazes de assegurar a conservação da documentação.
 
 
Caicó, 7 de maio de 2021